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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Tantas vezes

Sem fundamento transformo-me no pior que posso ser.

Mudo a expressão, sinto os sentimentos a rebobinar, a mágoa a crescer, o incontrolável a sobressair e uma tristeza profunda a colaborar com este estado crítico.

Dor, saudade, vazio.

Tantas vezes me repito e me maldigo. Tantas vezes chego a casa, de rastos: joelhos esfolados, alma vã, coração adormecido.

Visto o pijama a correr, deito-me, cubro-me e fecho os olhos. Enrolo-me, diminuo o tamanho desta vida, por si só vestigial, e choro desalmadamente num abafo breve, egoísta, assolador.

Choro por saber que amanhã é mais um dia.

 

Choro por igualmente saber que não será o início de nada, antes o seu fim.

É pelo nada que choro. É porque sim.

Porque as lágrimas levam o sal das feridas em brasa. Porque nelas, vai a terra com o mar. Porque à noite vêm as infusões de ervas e as sopas quentes e mal passadas.

À noite vem a escrita à luz de candelabros velhos cor de bronze.

À noite, vêm os fantasmas. Os meus.

Sem fundamento, simplesmente rodando sobre costelas repousadas, vou-me aproximando do que a vida me dá com uma mão. Em ruídos obsoletos, engrenagens disfuncionais, vou sendo assim: parte ressequida e estanque de um caminho que se abre em flor, em busca de um outro tesouro remendado e oculto por pedaços de um branco imaculado, concebido em perfeição.

Escárnio, crença, tolerância.

Viver onomatopaicamente ao longo dos passos que ziguezagueiam por entre pedaços de passeio obstruídos.

De mochila às costas e cachecol de malha preta e obstinada, num despertar infiel para as sirenes que do outro lado avançam céleres. Para as bicicletas velhas que rangem e circulam em liberdade. Para o tráfego amaldiçoado.

Para um céu que requer de mim uma independência sem nome, sem atributos, sem fundamentos.

Vou à vida, sem pensar nela.

 

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