Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Cor do vento

Voltaram os dias cinzentos, as luzes pálidas, os rostos cravados no que foi e já não é: nos acontecimentos intragáveis, nos dias irreversíveis, nas memórias imaculadas que restam do sonho inoportuno do horizonte.

Voltaram os passos largos e voláteis dos corredores assoberbados e voltei eu também.

Vim para viver a nostálgica saudade do ontem, a ansiedade irremediável do hoje e a incerteza de todos os outros dias que suporto.

Os novos desafios, os dilemas, as novas oportunidades. Enfim! Os momentos que me fazem estar certa de que também o passado é um tempo incerto. De que também viver nele será somente redescobrir o mesmo erro, repeti-lo, rejeitá-lo, ser-lhe servo e crescer.

Acredito que a adversidade nos faz melhores: cientes dos obstáculos, trabalhadores em prol de uma causa. E, muitas vezes, essa causa somos nós próprios!

 

 

Hoje é feliz!

As pedras rolavam ao sabor do vento, junto com o mesmo ruído das persianas mal fechadas.

Uma ligeira brisa percorria o vão desta pequena janela perra e obstinada.

O céu, inicialmente encoberto, abria-se num esplendor raro, numa dádiva de luz genuína, quente, esbaforida e reconfortante.

Lá em baixo, passados três andares e os seus múltiplos segredos, a vida de quem arranca a toda a velocidade. Os cães livres na sua trela, o pão quente a fazer crescer água na boca, o frio bom que envermelhece as extremidades mais suscetíveis mas que, prontamente o sol faz olvidar.

Os aromas iam e voltavam como o ciclo deste caminho em bumerangue.

 

 

Pensar em nada, sentir tudo!

Corri pelos sonhos presos à calçada, dobrei esquinas, vivi os cheiros, amei os pedaços de tinta e o esvoaçar das gaivotas que cruzavam o céu em trajetórias desalinhadas, curvilíneas e arrebatadoras.

Cá em baixo, a magnificência de uma sombra desnorteada e passageira, o cheiro das sardinhas a palpitar na brasa, o ómega 3 de uma vida, a cidade em dias amenos.

Atravessei a avenida em rodopios despreocupados, os braços erguidos em movimentos torsionais, as danças sem ritmo, a leveza dos “pés de chumbo” descalços, a despreocupação total.

Só eu! Eu e todos os sentidos, como nunca, apurados.

 

 

Um espaço para conversar

 

Há um espaço para conversar.

Dois bancos, um frente a frente inevitável.

Sinto a brisa a aconchegar-se no meu casaco de malha castanho, velho, intemporal. Percorre-me desde o início, num tremor deliciosamente embaraçoso e eu aqueço as mãos entre fios de lã.

Sinto o frio, aquele que deixa o nariz vermelho e os olhos reluzentes. Sinto-te a ti, sentado do outro lado a perscrutar os meus sinais.

 

A agitação das sextas-feiras passa por nós, varrendo as ruas, despindo os jardins, com a mesma intensidade com que aperto as mãos nestes bolsos largos, cheios de dúvida e maresia.

Ao fundo, ouvem-se as gaivotas a tremer por entre nuvens quebradiças. A leveza das águas, a areia molhada, o sol posto nestes rostos silenciosos e comprometidos.

 

 

Mais sobre mim

Seguir perfil

A ler:

Calendário

Março 2017

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D