Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Não! Não vou por aí...

A vida ainda me espanta!

Esta chama que permanece com fulgor numa procura ininterrupta pela claridade. Este tempo indomável que se dilui nas margens do rio. Esta estrela, em céu aberto, que o rasga e enviesa num grito de imensidão vulnerável. Esta esfera comedidamente redonda e tão pouco singular.

À medida que subo os degraus, perco-me por não me deixar guiar, desdobro-me em múltiplas emoções por não me querer conter. Vou de mãos livres e de coração cheio, dispensando os corrimões pintados, cobertos por tinta num processo progressivo de maceração.

É esta a penitência de quem não esquece o seu passado. Trata-se de um corretivo para quem, como eu, vê o mundo turvo. Para quem, como eu, passou, ouviu e levou consigo uma herança de verdades certas e inquestionáveis, das quais, inconscientemente, ousou duvidar.

Eu que sou cinza, somente esta poeira onde os passos se aligeiram e as vozes ecoam, onde impossível seria contestar aquilo que vejo, mas onde o cristalino se afasta cada vez mais da retina.

Desde pequenos que nos cortam as asas.

 

 

Amálgama

 

     Extrato de chá verde impregnado na pele. Um carmesim desconcertante a figurar pelos dedos. Camisa em pendant com as calças de pinças azul comassie e o preenchimento das sobrancelhas outrora em desalinho.

    Custa ser-se assim tão impecável! Emprestar umas ondulações ao cabelo crespo, uns iluminadores à habitual pele esbatida, um brilho discreto ao cieiro do inverno.

     Custa escolher os tons, não confundir os padrões nem abusar da sensualidade ou do desarrumo propositado.

Mas o que custa igualmente é parecer que tudo aquilo é natural: o passo firme que ecoa pela rua, o som dos impetuosos quinze centímetros de altivez que se reproduz intermitentemente, a confiança de um desprezo ao piropo mal fingido, o queixo levantado de olhos postos no embaraço.

 

Trilho

O cheiro da terra molhada apoderava-se de todos os meus sentidos à medida que, cuidadosamente, descia a colina através de um carreirinho estreitamente bem desenhado, delimitado por marcos de pedra, minuciosamente recortados pelo vento.

As nuvens moviam-se devagar e o meu cabelo unia-se por pequenas gotículas de um orvalho praticamente extinto.

Tinha uma mochila a cobrir-me as costas e uma vara de madeira robusta a acompanhar-me as passadas. Um mapa entrelaçado nos dedos e uma adrenalina aprazível a despontar pelo ventre.  

Era o mundo em vista por descobrir. O realizar do maior de todos os projetos: conhecer-me.

De olhos erguidos e corpo firme, segui o meu caminho sem destino. Até onde o coração quisesse levar os pés. Até onde os pés quisessem levar a alma.

E deixei de ter medo. 

Laços que não perduram

 

Foi com o vento a vontade de te escrever, numa dança de acrobacias em constante desequilíbrio.

Em tempos, pensei que as nossas ligações fossem de aço, daquele inoxidável que as lembranças perpetuam e os anos enrijecem.

Todavia, agora sei que, embora a essência se mantenha, tudo se transformou. Os tecidos são o véu que cobre o palpitar incessante, o fumo de uma chama em permanente fase de rescaldo que, ao toque, se incendeia e devora com voracidade toda a quietude em construção.

Já não conheço mais do que um nome. E isso dói. Queima. Arde em mim.

 

 

No fim da linha

Levaste o tempo que foi preciso. A indumentária do costume, a mente aberta, o desejo de te permitires viver.

Levaste o tempo que foi preciso para rir, para lutar e para te acostumares à grande cidade que habita dentro de ti. A selva dentro da civilização, dos bons costumes, da aparência, do clichê.

Tu, o menino das corridas no asfalto, das calças rotas e desbotadas, das vontades descabidas, de estúpidas e perfeitas paixões, de novos dias e novas sementes, de novas idades e antigas caras, de novas crenças e uma só banda sonora.

És um. O único e primeiro algarismo que aprendi a contar na efemeridade dos meus rasgos de lucidez.

Escolhi-te a ti para me permitir voltar atrás, ao tempo em que era o abstrato que eu percebia, em que o mundo real era visto de dentro para fora e não me invadia a alma pelos olhos. O mais fácil.

 

 

Em versos alheios #44

«Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião.

Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.

A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.»

 

                                                                                          Nelson Mandela

 

Em versos alheios #36

 

«Cada dia é o dia do julgamento, e nós, com nossos atos e nossas palavras, com nosso silêncio e nossa voz, vamos escrevendo continuamente o livro da vida.

A luz veio ao mundo e cada um de nós deve decidir se quer caminhar na luz do altruísmo construtivo ou nas trevas do egoísmo.

Portanto, a mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é: "O que fiz hoje pelos outros?"»

 

                                                                            Martin Luther King

Livraria Lello

 

A Livraria Lello, situada na Rua das Carmelitas na cidade do Porto, é considerada a livraria mais bonita do mundo e comemorou, no passado dia 13 de Janeiro, 110 anos.

É um ponto de atração para todos os turistas que passam por esta cidade magnífica que, infelizmente, nunca tive o privilégio de visitar, mas que espero poder concretizar esse desejo muito em breve.

 

 

Em versos alheios #31

«Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.»

 

                                                                                   Buda

Em versos alheios #26

 

 

«Se não era amor, era da mesma família.

Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados.

A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo.»

 

                                                                                               Martha Medeiros

Mais sobre mim

Seguir perfil

A ler:

Calendário

Março 2017

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D