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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

III Capítulo / Página 60

Continuo a ler o mesmo livro. Há meses que o levo para onde quer que vá. Há dias que evito cruzar-me com ele. Nesses dias, sombrios fora de mim, volto a ouvir as mesmas canções. As que outrora me entorpeceram com as suas melodias, as que dantes repeti incessantemente até conhecer o perfil das mais diversas cadências, até que mais nenhuma tonalidade chegasse para me arrebatar.

De tempos a tempos, deixo o corpo inerte maravilhar-se como se fosse a primeira vez. E todo ele flui pelos acidentes de cada pauta.

Revivo o tempo, aclaro as memórias, enxugo os desgostos ou o simples cansaço que brota em pequenos soluços inaudíveis e, assim simplesmente, consciente da amargura, anseio ver o mundo pelos olhos de uma criança.

 

 

Página 366

 

O último dia do ano.

Há sempre muito para dizer. Fazemos os balanços e traçamos novas metas. Olhámos para trás e queremos muito, nesse instante, olhar para a frente. Sabemos os momentos que nos marcaram, mas sabemos também onde queremos ir. E é essa ideia que nos move.

Maravilhoso pensar em tantos outros dias para poder fazer mais, para poder fazer diferente, para aprender, para crescer, para viver…

Este ano, não escrevi sobre o que li nem sobre as músicas que escutei, nem tão pouco sobre os momentos mais especiais de 2016. Não escrevi porque fui escrevendo essa mesma história ao longo do tempo, ao longo de todos estes dias, durante todo este ano, na minha pele.

Envelheceu-me, 2016. Trouxe-me outra bagagem, ensinou-me muito!

 

 

Sempre o mesmo tema: Humanidade

Sempre o mesmo tema.

Conversa fiada, passatempo de quem quer conhecer mais do que o seu umbigo enfarruscado. A garrafa vai a meio e a sabedoria destroca-se em goles profundos.

Vê-se o horizonte e o adormecer ao relento das setes vidas felpudas.

Vê-se o bater das chinelas rua abaixo e rua acima. Apregoam-se os melhores negócios e a cidade silencia, varre o mundo e a certeza. O tempo e a calmaria. A luz e a nostalgia.

Uma vida de trabalho, de pele tisnada pelo sol e pelos filhos.

 

 

Desaires

             

 

Inacreditáveis os dias em que somos atropelados pelos desígnios de um caminho desalcatroado.

Terra impermeável ao esforço, declínio emocional, sonho em capotagem.

Um desaire que não se ultrapassa, que leva tempo e lágrimas a esvair pelo rio.

Tantas perguntas e murros na mesa. O desespero de um “porquê?” que vale por mil e uma sentenças.

Eu não percebo, o vizinho tenta perceber e todos os outros esticam o braço e prolongam o indicador em direção aos teus olhos ou, por outro lado, nem se importam se estás bem ou se estás mal porque é a tua vida. É a tua cruz.

 

 

A lei do fracasso

- E o que diz essa lei?

- Diz que o tempo é um pretexto. Diz que mais do que a sua falta, é o seu proveito.

Podias ter toda a filosofia dentro de ti, nenhuma chegaria para combater a irracionalidade inerente à tua existência.

Somam-se os dias e eu vejo-te sempre na mesma paragem à espera do 201. O mundo envelhece e tu vais junto dele, sobre rodas sem descanso.

É esta a lei do fracasso.

 

 

Na próxima paragem

Conheço-te bem: os traços cravados na palma da mão, o olhar distante, o cabelo rebelde, o mistério à deriva.

Sonho contigo, mesmo que acordada: as corridas matinais à beira mar, a areia molhada, a alma vazia…

Penso em ti, irremediavelmente: os gelados partilhados, os segredos divididos, os banhos de sol, a neve a derreter por baixo do calor dos nossos pés.

Penso, como se visse numa tela um futuro a passar em câmara lenta. Sonho, como se fosse realidade o cruzamento dos nossos dedos, o enlace dos nossos gostos, a fusão dos corações, o preenchimento da alma.

Sinto, como se vivesse essa ilusão: as páginas da nossa história, o diário dos nossos desencontros, os olhares reluzentes, as palavras a negrito, a pontuação descuidada, o sentimento em número ímpar.

 

 

À procura de ti

Salgado como mar, quente como a terra

Uma lufada de ar, um amor perdido na guerra

Escaldante como o céu, reprimida como eu

Uma vida com pressa rara, um caminho que não para

 

Sinto tudo à volta:

Espadas, capacetes, itinerários, sangue e bilhetes

De despedida, de saudade, de vida partida

Em busca da outra metade

 

Lágrimas cruas, nuas, suas e tão minhas

Um querer mais da vida em subtil descrença

Mais do que um beijo à saída

 

 

Em versos alheios #56

«No azul profundo as estrelas eram cintilantemente esverdeadas, amarelas, brancas, cor-de-rosa, de um brilhante mais vítreo do que em casa – mesmo em Paris: chame-se-lhes opalas, esmeraldas, lapis lazuli, rubis, safiras. Certas estrelas são amarelo-limão, outras têm um rubor rosa, ou um verde ou azul ou um brilho que não se esquece. E sem querer alargar-me neste assunto torna-se suficientemente claro que colocar pequenos pontos brancos numa superfície azul-preta não basta.»

 

                                                               Vicent van Gog

Em versos alheios #54

«Lembre-se de que você mesmo é o melhor secretário de sua tarefa, o mais eficiente propagandista de seus ideais, a mais clara demonstração de seus princípios, o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros. Não se esqueça, igualmente, de que o maior inimigo de suas realizações mais nobres, a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa, a nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar, o arquiteto de suas aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação - é você mesmo.»

 

                                                                                                   Chico Xavier

Ter para ler, ler para ser #2

Os livros são o alimento da alma e eu, em momento algum, coloco isso em causa.

Ao ler, investimos em nós, na nossa formação e na nossa cultura, fomentando o conhecimento.

E isso é o mais importante de tudo. É o que nos permite ter uma visão global de vários e diversificados aspetos e situações e é, acima de tudo, o que nos forma enquanto seres humanos.

Ultimamente, que é como quem diz, há cerca de um ano, comecei a ler um outro tipo de livros direcionados para a vertente do desenvolvimento pessoal e espiritual e, a verdade é que, tenho gostado muito porque sinto que, efetivamente, estou a alimentar a minha alma fornecendo-lhe os nutrientes necessários para que se torne forte, saudável e grandiosa. 

Às vezes, precisamos de nos encontrar e de nos autoconhecermos e avaliarmos. Ler faz com que tudo isso seja possível e com que despertemos em nós o melhor que podemos ser.

Desta forma, hoje vou falar-vos de um dos muitos livros deste género que gostaria de ler num futuro próximo.

 

"A Voz da Serenidade" de Eckhart Tolle é um dos livros que ando a "namorar" há algum tempo mas que ainda não adquiri porque tenho outros para ler.

 

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