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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Não! Não vou por aí...

A vida ainda me espanta!

Esta chama que permanece com fulgor numa procura ininterrupta pela claridade. Este tempo indomável que se dilui nas margens do rio. Esta estrela, em céu aberto, que o rasga e enviesa num grito de imensidão vulnerável. Esta esfera comedidamente redonda e tão pouco singular.

À medida que subo os degraus, perco-me por não me deixar guiar, desdobro-me em múltiplas emoções por não me querer conter. Vou de mãos livres e de coração cheio, dispensando os corrimões pintados, cobertos por tinta num processo progressivo de maceração.

É esta a penitência de quem não esquece o seu passado. Trata-se de um corretivo para quem, como eu, vê o mundo turvo. Para quem, como eu, passou, ouviu e levou consigo uma herança de verdades certas e inquestionáveis, das quais, inconscientemente, ousou duvidar.

Eu que sou cinza, somente esta poeira onde os passos se aligeiram e as vozes ecoam, onde impossível seria contestar aquilo que vejo, mas onde o cristalino se afasta cada vez mais da retina.

Desde pequenos que nos cortam as asas.

 

 

Sem Abrigo

 

Tens as roupas sujas e gastas, o cabelo grisalho sem forma ou arrumo, a mão esticada sem convicção.

Há dias que te cortaram a água. Dizem que setembro foi um mês quente e outubro lá lhe vai seguindo os passos, prolongando tal proeza.

Para ti, tanto faz!

Gostas pouco de seguir as tendências. És irreverente! Crias a tua própria moda e às vezes, como ela, és o último grito: aquele que a madrugada abafa e que as tuas próprias forças não projetam.

As olheiras não te incomodam. Aliás, sempre tiveste um fraquinho por olhos esbugalhados repletos de traços promíscuos.

E de cheiros, ninguém percebe tanto como tu! Desde que descobriste esta nova forma de viver que não largas o teu novo perfume por nada.

Encontraste finalmente um que se adequa à tua verdadeira essência, criado a partir dos extratos de dias e dias e noites sem luar. Aquela doce fragrância que revela a tua personalidade e a convicção com que acordas todos os dias à beira de um pedaço de cartão, daqueles que outrora fizeram parte dos caixotes descartáveis de que as pessoas aluadas se desfazem a torto e a direito.

 

Crise de valores

Os últimos dias têm sido marcados por bárbaros acontecimentos que têm deixado a população incrédula com o rumo pelo qual a nossa sociedade parece estar a enveredar.

Falo de tudo: dos incêndios provocados por mão criminosa que destroem uma nação, deixando em cinzas o trabalho de anos e anos a fio; dos maridos que matam as suas esposas e, não raras vezes, se suicidam de seguida; de um homem que assassina e esconde o corpo de três mulheres, uma das quais grávida de um filho seu; dos jovens que se agridem brutalmente sem motivo que o justifique – porque nada justifica a incivilidade que nos tem vindo a ser retratada pela imprensa – e da forma como encaramos, passivamente, todas estas situações.

Pergunto-me muitas vezes o que é que está mal, o que é que se passa na cabeça das pessoas, em que é que este mundo se está a tornar, mas não encontro respostas válidas nem argumentos que me tranquilizem.

 

 

Reage. Vota.

 

 

 

Pela segunda vez vou exercer o meu direito ao voto.

Fazê-lo é estar a contribuir para a vida do meu país, é fazer ouvir a minha voz e as minhas ideologias.

O importante é ir até à mesa de voto. Não importa se o voto for nulo ou em branco, porque qualquer um destes, reflete a nossa opinião e a forma como vemos o panorama político nacional.

Errado é ficar em casa, por preguiça ou revolta, neste dia lindo de sol.

 

 

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