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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

III Capítulo / Página 60

Continuo a ler o mesmo livro. Há meses que o levo para onde quer que vá. Há dias que evito cruzar-me com ele. Nesses dias, sombrios fora de mim, volto a ouvir as mesmas canções. As que outrora me entorpeceram com as suas melodias, as que dantes repeti incessantemente até conhecer o perfil das mais diversas cadências, até que mais nenhuma tonalidade chegasse para me arrebatar.

De tempos a tempos, deixo o corpo inerte maravilhar-se como se fosse a primeira vez. E todo ele flui pelos acidentes de cada pauta.

Revivo o tempo, aclaro as memórias, enxugo os desgostos ou o simples cansaço que brota em pequenos soluços inaudíveis e, assim simplesmente, consciente da amargura, anseio ver o mundo pelos olhos de uma criança.

 

 

Éramos todos humanos...

No meio das palavras vazias, ouvem-se os estilhaços da verdadeira crueldade.

 

De repente, o choque apodera-se da liberdade das entranhas.

Sentimo-nos como um pássaro ferido na asa: a liberdade depenada, o coração vazio, a mente bloqueada pelo medo.

Ficamos boquiabertos, sem reação, embasbacados...

Soltos à deriva das lágrimas que o sangue derramou: o sangue da humanidade!

Faltam as palavras, tamanho é o sentimento de revolta e incompreensão... Falta-nos tudo!

 

 

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