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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

III Capítulo / Página 60

Continuo a ler o mesmo livro. Há meses que o levo para onde quer que vá. Há dias que evito cruzar-me com ele. Nesses dias, sombrios fora de mim, volto a ouvir as mesmas canções. As que outrora me entorpeceram com as suas melodias, as que dantes repeti incessantemente até conhecer o perfil das mais diversas cadências, até que mais nenhuma tonalidade chegasse para me arrebatar.

De tempos a tempos, deixo o corpo inerte maravilhar-se como se fosse a primeira vez. E todo ele flui pelos acidentes de cada pauta.

Revivo o tempo, aclaro as memórias, enxugo os desgostos ou o simples cansaço que brota em pequenos soluços inaudíveis e, assim simplesmente, consciente da amargura, anseio ver o mundo pelos olhos de uma criança.

 

 

Já paraste para sentir?

Quantos pensamentos cabem numa colher de sopa?

Quantas vezes nos deixamos atropelar pelos desejos obstinados da nossa imaginação? Quantas vezes sobrepomos os dilemas aos momentos, o certo ao maravilhoso, a incerteza à escolha de um caminho alternativo?

Muitas.

Multiplicam-se sem que os parênteses definam prioridades ou os expoentes sejam a fração com que dividimos, em segundos, a vida metódica que escolhemos.

 

 

Meteorologia

Às vezes, a vida não é fácil.

Passa por nós, leva-nos de arrastão e lá vamos aos trambolhões.

Ficamos sem vontade de agir e as palavras secam. Não sabemos o que fazer.

Perdemos a direção, questionamos o rumo e todas aquelas escolhas que nos conduziram a este beco com tantas saídas e tão pouca luz.

Olhamos para os lados, cabisbaixos, e ninguém nos estende a mão, ninguém é quem procuramos, ninguém é aquilo que queremos.

 

 

A lei do fracasso

- E o que diz essa lei?

- Diz que o tempo é um pretexto. Diz que mais do que a sua falta, é o seu proveito.

Podias ter toda a filosofia dentro de ti, nenhuma chegaria para combater a irracionalidade inerente à tua existência.

Somam-se os dias e eu vejo-te sempre na mesma paragem à espera do 201. O mundo envelhece e tu vais junto dele, sobre rodas sem descanso.

É esta a lei do fracasso.

 

 

Na próxima paragem

Conheço-te bem: os traços cravados na palma da mão, o olhar distante, o cabelo rebelde, o mistério à deriva.

Sonho contigo, mesmo que acordada: as corridas matinais à beira mar, a areia molhada, a alma vazia…

Penso em ti, irremediavelmente: os gelados partilhados, os segredos divididos, os banhos de sol, a neve a derreter por baixo do calor dos nossos pés.

Penso, como se visse numa tela um futuro a passar em câmara lenta. Sonho, como se fosse realidade o cruzamento dos nossos dedos, o enlace dos nossos gostos, a fusão dos corações, o preenchimento da alma.

Sinto, como se vivesse essa ilusão: as páginas da nossa história, o diário dos nossos desencontros, os olhares reluzentes, as palavras a negrito, a pontuação descuidada, o sentimento em número ímpar.

 

 

Em versos alheios #60

«Vive a vida o mais intensamente que puderes.

Escreve essa intensidade o mais calmamente que puderes.

E ela será ainda mais intensa no absoluto do imaginário de quem te lê.»

 

                                                                  Vergílio Ferreira

Em versos alheios #35

«A maior aventura de um ser humano é viajar,

E a maior viagem que alguém pode empreender
É para dentro de si mesmo.
E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,
Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,
Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas
E descobrir o que as palavras não disseram...»

 

                                  August Cury

Insónia

São três da manhã.

A alma permanece deitada, presa pelo conforto de um desassossego incontrolável.
Alumia-me um feixe de luz , um farol improvisado, um guia sem destino.

 

Estou ensonada, sem palavras ou pretextos.

 

O dia foi longo, a noite morosa.
Tenho pesadelos, medo de trovões, frio de tudo.
E no meio de tudo isso, uma palavra por dizer.

 

Procuro a palavra no meio dos lençóis, como um predador procura a sua presa. E tão feroz é essa sede que passo por ela e continuo.
Digo que continuo à procura, que nada me sacia e não espero.
Percorro filosofias e acabo a morder o lábio inferior, com sede de mais, com raiva de mais, com impaciência a mais.

 

São três da manhã e já dormi tudo. 

 

 

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