Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Cor do vento

Voltaram os dias cinzentos, as luzes pálidas, os rostos cravados no que foi e já não é: nos acontecimentos intragáveis, nos dias irreversíveis, nas memórias imaculadas que restam do sonho inoportuno do horizonte.

Voltaram os passos largos e voláteis dos corredores assoberbados e voltei eu também.

Vim para viver a nostálgica saudade do ontem, a ansiedade irremediável do hoje e a incerteza de todos os outros dias que suporto.

Os novos desafios, os dilemas, as novas oportunidades. Enfim! Os momentos que me fazem estar certa de que também o passado é um tempo incerto. De que também viver nele será somente redescobrir o mesmo erro, repeti-lo, rejeitá-lo, ser-lhe servo e crescer.

Acredito que a adversidade nos faz melhores: cientes dos obstáculos, trabalhadores em prol de uma causa. E, muitas vezes, essa causa somos nós próprios!

 

 

"Obrigada..."

Os dias vão-se rotulando.

Cresce uma vontade visceral de emprestar cores ao tempo. De significar as palavras e de, para o efeito, as assinalar em momentos efémeros.

Existem “dias mundiais”, datas importantes que se perpetuam no tempo. E existe a nossa forma estranha de denotar sentimentos.

São pouco cordiais as meras vinte e quatro horas de destaque quando as emoções fermentam ininterruptamente dentro de nós. Quando são pequenas bombas-relógio, pequenos rastilhos que desencadeiam guerras turbulentas no peito.

Os tempos mudaram. As gerações cresceram. Vejo, nos olhos de hoje, o espelho de novas trivialidades, cujo engenho se foi fomentando aos poucos, de há uns pares de anos a esta parte.

E digo-o porque sinto, como nunca, a terra deslizar-me pela sola. Como se o nosso entendimento se baseasse numa teoria de Wegener: inaceitável para a época, irrefutável para a consciência.

 

 

Até tenho saudades...

Deixei de falar com o passado.

Lembro-me às vezes das nossas conversas, daqueles conselhos dados pelo espelho retrovisor e dos dilemas captados por uma lente ainda sem risco algum.

Era eu e o banco de trás com três cintos que pouco apertavam e uns carrapitos desprendidos de infelicidades.

Eram os domingos em que ainda havia tempo para ir descobrir cidades. Eu no meio de dois braços fortes, de duas mãos suaves, de dois seres que amo.

Até tenho saudades!

 

O dia mais pequeno do ano

Há muito que as mantas me cobrem as pernas e as gavetas estão aconchegadas por malhas de várias cores.

À noite, nada sabe melhor do que uma caneca quente entre os dedos. E os pés escondem-se por baixo de três pares de meias polares enquanto o pescoço se deixa envolver pela suavidade de um cachecol que dá voltas e voltas.

Um quadradinho de chocolate, daquele bem negro e com uma percentagem considerável de cacau, para que a tentação não dê lugar ao arrependimento, e os dias parecem perfeitos.

Depois, chega também a altura dos frutos secos. Castanhas cruas, cozidas ou assadas. Quentes, tão quentes como as gargalhadas de uma família reunida num simples momento de partilha.

Vêm as nozes, as uvas passas, os pinhões, os figos, as tâmaras e os doces de natal. 

 

 

Reivindicar o Amor

Para muitos, a época mais especial do ano aproxima-se. Para outros, não existe sequer esperança no dia seguinte.

É assim que o mundo é. É assim que a vida se comporta.

Uns são ricos, outros são pobres. Uns têm saúde, outros lutam por ela.

Uns têm família, outros têm-se a si mesmos. Uns têm sorte, outros menos juízo.

Existem ainda aqueles que, aos nossos olhos, têm tudo o que é preciso para se sentirem felizes, mas, ao invés disso, se sentem vazios. As suas vozes não se ouvem durante a consoada, os presentes desinteressam-se pelos embrulhos, a chama vai cessando e o fumo surgindo em pequenas névoas de esquecimento.

A lareira vai-se apagando…

 

Este ano o Natal vai ficar pelo caminho para muitas pessoas.

Sim, infelizmente, é verdade.

Muitas crianças não vão ter presentes porque lhes falta, entre outras coisas, alimento: o que nutre o corpo e o que acalenta a alma.

 

 

Em versos alheios #92

 

«Sim, e quantas vezes um homem deve olhar para cima
até que possa ver o céu?
Sim, e quantos ouvidos um homem deve ter
até poder ouvir as pessoas chorar?
Sim, e quantas mortes serão necessárias até que ele saiba
que já morreu gente demais?»

                                                                              Bob Dylan

 

Savoir-faire

 

Ainda escrevo porque sim. Não porque tenha matéria particularmente relevante para partilhar, mas como um mecanismo catártico necessário e inerente à minha condição.

Escrever é uma grande ferramenta para quem gosta de estar sozinho, mas, acima de tudo, para quem não se coíbe de encontrar uma companhia nas palavras.

Às vezes, não sai tão direitinho como se pensou. Outras vezes, escreve-se sem olhar para trás, compulsivamente.

Querer escrever e não ser capaz provoca em mim uma consternação pungente e, por sua vez, ler o que outrora redigi, uma autocrítica que chega a ser desconcertante e que me leva, com alguma frequência, a questionar e até duvidar do meu savoir-faire.

 

Metade

 

Sou a metade de cada fragmento

Que se reproduz e pousa em mim,

Um todo incompleto e vazio

Sem princípio mas com fim

 

Sinto deveras…

Mas um deveras pouco demais

Qual mundo sem fronteiras?

Quais homens imortais?

 

A lucidez dói, fere, ensanguenta,

Corrói a ilusão e reduz a expectativa

E a mágoa, essa, não se ausenta

De cada alma carecida.

 

 

Sem Abrigo

 

Tens as roupas sujas e gastas, o cabelo grisalho sem forma ou arrumo, a mão esticada sem convicção.

Há dias que te cortaram a água. Dizem que setembro foi um mês quente e outubro lá lhe vai seguindo os passos, prolongando tal proeza.

Para ti, tanto faz!

Gostas pouco de seguir as tendências. És irreverente! Crias a tua própria moda e às vezes, como ela, és o último grito: aquele que a madrugada abafa e que as tuas próprias forças não projetam.

As olheiras não te incomodam. Aliás, sempre tiveste um fraquinho por olhos esbugalhados repletos de traços promíscuos.

E de cheiros, ninguém percebe tanto como tu! Desde que descobriste esta nova forma de viver que não largas o teu novo perfume por nada.

Encontraste finalmente um que se adequa à tua verdadeira essência, criado a partir dos extratos de dias e dias e noites sem luar. Aquela doce fragrância que revela a tua personalidade e a convicção com que acordas todos os dias à beira de um pedaço de cartão, daqueles que outrora fizeram parte dos caixotes descartáveis de que as pessoas aluadas se desfazem a torto e a direito.

 

Até onde?

 

Sei que o tempo se escapa e que a vida corre para a morte. Vai no caminho, tão depressa como o pôr de um sol que desponta no outono de um verão em despedida.

As janelas abrem-se para correr o ar e lá fora os lampiões são o retrato esbatido de um clarão a desfocar a vista que se prende nos pequenos pontos que cintilam lá no alto do seu esplendor. O céu longínquo, frio, escuro e idílico.

A estrada vai-se deixando para trás à medida que o velocímetro dispara e o coração acelera. Desejos vorazes, vontades sôfregas, ânsias em chama, palavras a ricochetearem a mente num vai e vem duvidoso.

Aos arranques, ecoa o motor em andamento: ritmo descompassado, absorto em pensamentos díspares, em melancolias passadas, em desejos ainda por desvendar.

E é tudo tão aleatório como esta estadia que nunca chegamos a perceber, tão reconfortante como repetir todas as manhãs, em aconchego, um mantra budista.

 

 

Mais sobre mim

Seguir perfil

A ler:

Calendário

Fevereiro 2017

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D