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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Maestrina

O céu estava sem forma, pintado por um cinzento claro e baço. Proeminentes, permaneciam os troncos de uma ramada descoberta pelas vicissitudes de um outono caduco.

O contraste permitiria, certamente, que o olhar se detivesse no estendal, perfeitamente alinhado com a interface de duas tonalidades distintas.

Ela tinha parado. Suspensa no tempo, embebida pela incerteza de existirem flores para lá da intensa neblina. E a noite ainda há pouco era uma criança.

Mas ela… Ela já via de outra forma a claridade.

Já deixava que o vento penetrasse todos os poros e que o orvalho escorresse pelas pétalas dianteiras. Já gostava de ter frio por deixar que o vento lhe acariciasse as maçãs do rosto pela manhã. Já pensava em encher os olhos, em guardar tudo para si, em inalar o mundo de uma só vez, em sentir os pequenos detalhes e os parapeitos húmidos, um tanto ou quanto condensados.

E, atrás dela, a melodia estimulava as sensações. Era protagonista daquele momento, daqueles instantes fugazes em que a paz se apoderava do espírito.

E, no entretanto, as colcheias de um caminho por desenhar, escapuliam-se das pautas para o bloco de notas à retaguarda.

E ela não parava.

Escrevia sem dar conta de como se transpunha para o papel, de como era maestrina do seu próprio pensamento.

Era impossível domar os instintos. Impossível não querer beber da adrenalina que o fruto proibido apetecia.

Impossível não sentir a discrepância das suas vozes, perceber a dimensão da sua tessitura e a importância de todos os instrumentos da orquestra.

Como os sentimentos na vida.

De pedra e cal

Estou de pedra e cal.

De óculos escuros, colocados no cocuruto deste cabelo vasto e emproado, vestida de preto, toda de preto e impenetrável na firmeza incontestável destes lábios vermelhos, carnudos, definidos, fatais e irresistíveis.

Estou sentada à beira rio, de cabelos ao vento e histórias ao de leve.

Sem expressão exata, pensamento lógico ou motivo pertinente.

Estou ali como quem não está em lugar nenhum senão dentro de si mesma, senão dada ao mundo inteiro, numa introspetiva feliz, nostálgica, amena e melancolicamente refrescante.

Pernas cruzadas, postura singular: o limiar da elegância em sintonia com o sol de inverno que se espelha no oculto sobreposto aos meus olhos, também eles negros de mistério.

 

 

Amanhã nascerá uma flor

Hoje choveu todo o dia.

Começou de manhã bem cedo.

Pequenos fios de água mansa batiam contra a janela do meu quarto, quando o relógio despertou e a chuva começou a cair dentro de mim.

Eram aguaceiros fracos, memórias pertinentes que alimentavam a saudade dos dias de inverno vigoroso. As mantas ao xadrez enroscadas nas pernas esguias, estendidas sobre o verde murcho do mesmo sofá, de pele, de sempre.

 

 

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