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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Metade

 

Sou a metade de cada fragmento

Que se reproduz e pousa em mim,

Um todo incompleto e vazio

Sem princípio mas com fim

 

Sinto deveras…

Mas um deveras pouco demais

Qual mundo sem fronteiras?

Quais homens imortais?

 

A lucidez dói, fere, ensanguenta,

Corrói a ilusão e reduz a expectativa

E a mágoa, essa, não se ausenta

De cada alma carecida.

 

 

Entornaste-me

Entornaste-me,

Como o café que transbordou

Como a espuma derramada sobre o balcão,

Como o amor obsessivo,

A posse tardia, falsa e endiabrada

 

Sonhos, vida, crenças, tudo ali à volta…

Sem nada.

 

Não foste buscar o pano,

Não tiraste do bolso o teu lenço.

Não!

Deixaste ficar assim: 

A nódoa ressequida, o odor, a deterioração,

De alma desprovida de arrependimento ou qualquer preocupação,

O desprezo propositado,

A indiferença que rasga a pele e corta a vida.

 

 

Dia mundial da poesia

Dia especial! 

A analogia do poema da vida, dos versos de cada dia, do propósito que sigo.

Do que amo.

Do que sou.

 

Hoje, é um dia mais bonito, que lembra os poetas de outros tempos, a verdade das palavras, o amor de quem escreve, a paixão de quem lê.

Portugal é um país rico em versos,  melodias contemporâneas e esperanças tão românticas como o classicismo da sua profanação.

Poetas do mundo Além. Nação pequena para a sua genialidade.

 

Eu tento dizer o que maré silencia: os sentimentos. O sentido que se não tem. 

E cá vou, de remo em remo em busca do vocábulo mais assertivo do nó mais difícil de desemaranhar.

 

Ser poeta é ser labirinto, perder-se junto ao cais, enovelar-se para dentro, pensar mais do que se diz.

É ser o aroma que não perdura.

Perfume de um só momento.

Ser poeta é ser só. É ser apenas e não obstante.

Solstício de verão. Equinócio adjacente. 

 

Disse-o algumas vezes por aqui, embalada na corrente em que a alma embarca.

E, hoje, por ser o dia que é - arco-íris da sensibilidade, apogeu da emoção - partilho convosco o turbilhão que imprimi em cada palavra.

Palavras do coração como os filhos.

Rebentos em flor, fauna vista de longe.

A minha verdade, conquistada pelos sonhos.

A vida e a morte que lhe pertence.

 

E tanto que rabisquei nos últimos meses.

Doença. Paixão. Natureza. Amor. Desilusão.

Uma caneta e um papel e o resultado aqui, a abrir numa outra janela por onde o mar não se avista.

 

Os poemas d' O Meu Poema:

A lei do fracasso

- E o que diz essa lei?

- Diz que o tempo é um pretexto. Diz que mais do que a sua falta, é o seu proveito.

Podias ter toda a filosofia dentro de ti, nenhuma chegaria para combater a irracionalidade inerente à tua existência.

Somam-se os dias e eu vejo-te sempre na mesma paragem à espera do 201. O mundo envelhece e tu vais junto dele, sobre rodas sem descanso.

É esta a lei do fracasso.

 

 

Na próxima paragem

Conheço-te bem: os traços cravados na palma da mão, o olhar distante, o cabelo rebelde, o mistério à deriva.

Sonho contigo, mesmo que acordada: as corridas matinais à beira mar, a areia molhada, a alma vazia…

Penso em ti, irremediavelmente: os gelados partilhados, os segredos divididos, os banhos de sol, a neve a derreter por baixo do calor dos nossos pés.

Penso, como se visse numa tela um futuro a passar em câmara lenta. Sonho, como se fosse realidade o cruzamento dos nossos dedos, o enlace dos nossos gostos, a fusão dos corações, o preenchimento da alma.

Sinto, como se vivesse essa ilusão: as páginas da nossa história, o diário dos nossos desencontros, os olhares reluzentes, as palavras a negrito, a pontuação descuidada, o sentimento em número ímpar.

 

 

Tu és tu!

Tu és o que tu fazes!

És as energias que recebes e transformas. És o ponto de vista com o qual olhas para o teu mundo interior, refletido, a grande escala, no mundo exterior que te envolve.

És o sorriso que pela manhã diz “Bom dia!”. És aquele que segura a porta e cede passagem, mesmo que estejas atrasado e ansioso por correr pelas escadas até ao destino final.

Tu és a música que ouves, as melodias que trauteias, com a voz amadora de um profissional dos sentimentos.

 

 

Hoje é feliz!

As pedras rolavam ao sabor do vento, junto com o mesmo ruído das persianas mal fechadas.

Uma ligeira brisa percorria o vão desta pequena janela perra e obstinada.

O céu, inicialmente encoberto, abria-se num esplendor raro, numa dádiva de luz genuína, quente, esbaforida e reconfortante.

Lá em baixo, passados três andares e os seus múltiplos segredos, a vida de quem arranca a toda a velocidade. Os cães livres na sua trela, o pão quente a fazer crescer água na boca, o frio bom que envermelhece as extremidades mais suscetíveis mas que, prontamente o sol faz olvidar.

Os aromas iam e voltavam como o ciclo deste caminho em bumerangue.

 

 

À procura de ti

Salgado como mar, quente como a terra

Uma lufada de ar, um amor perdido na guerra

Escaldante como o céu, reprimida como eu

Uma vida com pressa rara, um caminho que não para

 

Sinto tudo à volta:

Espadas, capacetes, itinerários, sangue e bilhetes

De despedida, de saudade, de vida partida

Em busca da outra metade

 

Lágrimas cruas, nuas, suas e tão minhas

Um querer mais da vida em subtil descrença

Mais do que um beijo à saída

 

 

Inebriados pela chama

Cigarros acesos, luzes refletoras, cores gritantes, palavras ocas, sorrisos histéricos, almas vazias, mentes extintas.

O poder de uma noite ao relento: sem sabor, sem memórias, sem sentido.

Os ingredientes necessários, o perigo recorrente e o prolongamento da efemeridade da vida.

Passam-se duas horas. Os efeitos são estupefacientes num corpo que pede água viva para despertar das trevas.

Os movimentos lembram marionetas bem conduzidas em dias de espetáculo. O corpo retrata a indiferença dos fantoches estáticos sem rumo, verdade ou poder de decisão.

Vamos a meio e metemos a quarta sem sustentar a velocidade. Rimos para cima. Para onde os olhos ainda conseguem decifrar uns pontos reluzentes no meio da escuridão.

 

 

De pedra e cal

Estou de pedra e cal.

De óculos escuros, colocados no cocuruto deste cabelo vasto e emproado, vestida de preto, toda de preto e impenetrável na firmeza incontestável destes lábios vermelhos, carnudos, definidos, fatais e irresistíveis.

Estou sentada à beira rio, de cabelos ao vento e histórias ao de leve.

Sem expressão exata, pensamento lógico ou motivo pertinente.

Estou ali como quem não está em lugar nenhum senão dentro de si mesma, senão dada ao mundo inteiro, numa introspetiva feliz, nostálgica, amena e melancolicamente refrescante.

Pernas cruzadas, postura singular: o limiar da elegância em sintonia com o sol de inverno que se espelha no oculto sobreposto aos meus olhos, também eles negros de mistério.

 

 

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