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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Reivindicar o Amor

Para muitos, a época mais especial do ano aproxima-se. Para outros, não existe sequer esperança no dia seguinte.

É assim que o mundo é. É assim que a vida se comporta.

Uns são ricos, outros são pobres. Uns têm saúde, outros lutam por ela.

Uns têm família, outros têm-se a si mesmos. Uns têm sorte, outros menos juízo.

Existem ainda aqueles que, aos nossos olhos, têm tudo o que é preciso para se sentirem felizes, mas, ao invés disso, se sentem vazios. As suas vozes não se ouvem durante a consoada, os presentes desinteressam-se pelos embrulhos, a chama vai cessando e o fumo surgindo em pequenas névoas de esquecimento.

A lareira vai-se apagando…

 

Este ano o Natal vai ficar pelo caminho para muitas pessoas.

Sim, infelizmente, é verdade.

Muitas crianças não vão ter presentes porque lhes falta, entre outras coisas, alimento: o que nutre o corpo e o que acalenta a alma.

 

 

Crise de valores

Os últimos dias têm sido marcados por bárbaros acontecimentos que têm deixado a população incrédula com o rumo pelo qual a nossa sociedade parece estar a enveredar.

Falo de tudo: dos incêndios provocados por mão criminosa que destroem uma nação, deixando em cinzas o trabalho de anos e anos a fio; dos maridos que matam as suas esposas e, não raras vezes, se suicidam de seguida; de um homem que assassina e esconde o corpo de três mulheres, uma das quais grávida de um filho seu; dos jovens que se agridem brutalmente sem motivo que o justifique – porque nada justifica a incivilidade que nos tem vindo a ser retratada pela imprensa – e da forma como encaramos, passivamente, todas estas situações.

Pergunto-me muitas vezes o que é que está mal, o que é que se passa na cabeça das pessoas, em que é que este mundo se está a tornar, mas não encontro respostas válidas nem argumentos que me tranquilizem.

 

 

Confia na vida!

Confia na vida!

Acredita que, às vezes, precisamos de fazer aquele desvio, de conhecer diferentes realidades e de deixar, simplesmente, acontecer.

A vida surpreende-nos se aceitarmos as circunstâncias em que vivemos. E tudo é um ciclo: sem fim no coração, efémero nas vivências.

Em cada pedaço de dúvida sei que existe um pedaço maior de alegria, de descoberta, de sentimentos inexplicáveis.

Não os deixes escapar!

 

 

De pedra e cal

Estou de pedra e cal.

De óculos escuros, colocados no cocuruto deste cabelo vasto e emproado, vestida de preto, toda de preto e impenetrável na firmeza incontestável destes lábios vermelhos, carnudos, definidos, fatais e irresistíveis.

Estou sentada à beira rio, de cabelos ao vento e histórias ao de leve.

Sem expressão exata, pensamento lógico ou motivo pertinente.

Estou ali como quem não está em lugar nenhum senão dentro de si mesma, senão dada ao mundo inteiro, numa introspetiva feliz, nostálgica, amena e melancolicamente refrescante.

Pernas cruzadas, postura singular: o limiar da elegância em sintonia com o sol de inverno que se espelha no oculto sobreposto aos meus olhos, também eles negros de mistério.

 

 

Insónia

São três da manhã.

A alma permanece deitada, presa pelo conforto de um desassossego incontrolável.
Alumia-me um feixe de luz , um farol improvisado, um guia sem destino.

 

Estou ensonada, sem palavras ou pretextos.

 

O dia foi longo, a noite morosa.
Tenho pesadelos, medo de trovões, frio de tudo.
E no meio de tudo isso, uma palavra por dizer.

 

Procuro a palavra no meio dos lençóis, como um predador procura a sua presa. E tão feroz é essa sede que passo por ela e continuo.
Digo que continuo à procura, que nada me sacia e não espero.
Percorro filosofias e acabo a morder o lábio inferior, com sede de mais, com raiva de mais, com impaciência a mais.

 

São três da manhã e já dormi tudo. 

 

 

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