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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Pouco meu

Às vezes olho para mim de lado.

Como um estranho que julga conhecer o turbilhão de pensamentos que em passos largos se dissolvem por entre rotinas cruzadas e transeuntes incomuns.

Às vezes até sinto que o que sou é pouco meu. Porque me é estranha aquela sensação de estranheza.

E julgo, perante os dedos que se tocam, ser pouco mais do que uma defesa contra cada fragmento estilhaçado na penumbra.

Pedaços de sonho hipotéticos. Utopias de banda larga.

Estou tão fora como dentro, desmembrada da fisiologia sem querer ir nem querer voltar.

E somam-se os dias: um valor absoluto e pesado do que perdi por não saber o que querer ganhar.

Tanta vida no Inverno. Tantas ondas e um mar inerte.

Como eu. Sem condições ou metafísica. Sem futuro nem presente.

Um eu doente. Da alma. Do soro que escorre ignominiosamente.

Autoimune na resposta. Em desalinho. Pelo cansaço escrito em prosa e a vida entoada em hino.

Laços que não perduram

 

Foi com o vento a vontade de te escrever, numa dança de acrobacias em constante desequilíbrio.

Em tempos, pensei que as nossas ligações fossem de aço, daquele inoxidável que as lembranças perpetuam e os anos enrijecem.

Todavia, agora sei que, embora a essência se mantenha, tudo se transformou. Os tecidos são o véu que cobre o palpitar incessante, o fumo de uma chama em permanente fase de rescaldo que, ao toque, se incendeia e devora com voracidade toda a quietude em construção.

Já não conheço mais do que um nome. E isso dói. Queima. Arde em mim.

 

 

Desaires

             

 

Inacreditáveis os dias em que somos atropelados pelos desígnios de um caminho desalcatroado.

Terra impermeável ao esforço, declínio emocional, sonho em capotagem.

Um desaire que não se ultrapassa, que leva tempo e lágrimas a esvair pelo rio.

Tantas perguntas e murros na mesa. O desespero de um “porquê?” que vale por mil e uma sentenças.

Eu não percebo, o vizinho tenta perceber e todos os outros esticam o braço e prolongam o indicador em direção aos teus olhos ou, por outro lado, nem se importam se estás bem ou se estás mal porque é a tua vida. É a tua cruz.

 

 

Quase perto

 

Estive quase perto do desassossego, quase perto do mar cheio, a transbordar.

Estive quase perto dessas ondas que se emaranham nas rochas e destroem os alicerces que te vi lutar para construir.

Estive quase perto dos dias de chuva escorregadios, frios, ventosos e pragmáticos.

Estive quase perto, mas fiquei longe, a observar a tempestuosa e estranha forma de vida dos que se atiram e mergulham, embebidos, em pesadelos e alarmes intermitentes a ecoar.

 

 

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