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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Não! Não vou por aí...

A vida ainda me espanta!

Esta chama que permanece com fulgor numa procura ininterrupta pela claridade. Este tempo indomável que se dilui nas margens do rio. Esta estrela, em céu aberto, que o rasga e enviesa num grito de imensidão vulnerável. Esta esfera comedidamente redonda e tão pouco singular.

À medida que subo os degraus, perco-me por não me deixar guiar, desdobro-me em múltiplas emoções por não me querer conter. Vou de mãos livres e de coração cheio, dispensando os corrimões pintados, cobertos por tinta num processo progressivo de maceração.

É esta a penitência de quem não esquece o seu passado. Trata-se de um corretivo para quem, como eu, vê o mundo turvo. Para quem, como eu, passou, ouviu e levou consigo uma herança de verdades certas e inquestionáveis, das quais, inconscientemente, ousou duvidar.

Eu que sou cinza, somente esta poeira onde os passos se aligeiram e as vozes ecoam, onde impossível seria contestar aquilo que vejo, mas onde o cristalino se afasta cada vez mais da retina.

Desde pequenos que nos cortam as asas.

 

 

2016: O ceifador de arte

2016 tem sido um ano devastador para o mundo artístico.

Na música, a minha arte mais querida, a ceifa parece nunca mais ter fim.

As grandes lendas vão, aos poucos, deixando-nos para trás. E foram muitas este ano. Muitas e indescritivelmente grandes...

Acredito que lá em cima se estará a trabalhar no melhor álbum de todos os tempos e que talvez só outras divindades o mereçam de facto ouvir.

David Bowie, Prince, Leonard Cohen e agora George Michael. Estes e tantos outros nomes que ao longo deste ano deixaram o mundo, com certeza, mais pobre. Mas que, no entanto, serão para sempre, neste mesmo mundo, imortais e merecedores de todas as homenagens.

Obrigada!!

Obrigada por me fazerem sentir tantas coisas e por me transmitirem tantas mensagens.

Obrigada por fazerem música!

 

Em versos alheios #92

 

«Sim, e quantas vezes um homem deve olhar para cima
até que possa ver o céu?
Sim, e quantos ouvidos um homem deve ter
até poder ouvir as pessoas chorar?
Sim, e quantas mortes serão necessárias até que ele saiba
que já morreu gente demais?»

                                                                              Bob Dylan

 

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