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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Ai costa, a vida costa!

Damos voltas e voltas. A vida não nos satisfaz ou, provavelmente, nós é que não nos deixamos satisfazer pelos seus pequenos prazeres.

Seja qual for a hipótese mais concreta, a verdade é que nos queixamos de tudo. Barafustamos todos os dias porque o estado do tempo raramente nos apraz. O frio é demais, o calor insuportável. A chuva, que faz falta para que as sementes germinem, tarda em encharcar-nos os pés. E o sol, essencial para que a densidade óssea se mantenha saudável, decide jogar às escondidas no dia em que precisamente o nosso rosto acudia por um cintilo puro, quente e um pouco mais gentil.

O problema é que até a ausência de problemas é problemática.

Sem vitamina D, que o sol nos valha, deixamos de poder fazer queixinhas à vontade porque, até a contrariedade de que somos feitos, acaba por quebrar aos poucos.

E queixamo-nos tantas vezes…

"Obrigada..."

Os dias vão-se rotulando.

Cresce uma vontade visceral de emprestar cores ao tempo. De significar as palavras e de, para o efeito, as assinalar em momentos efémeros.

Existem “dias mundiais”, datas importantes que se perpetuam no tempo. E existe a nossa forma estranha de denotar sentimentos.

São pouco cordiais as meras vinte e quatro horas de destaque quando as emoções fermentam ininterruptamente dentro de nós. Quando são pequenas bombas-relógio, pequenos rastilhos que desencadeiam guerras turbulentas no peito.

Os tempos mudaram. As gerações cresceram. Vejo, nos olhos de hoje, o espelho de novas trivialidades, cujo engenho se foi fomentando aos poucos, de há uns pares de anos a esta parte.

E digo-o porque sinto, como nunca, a terra deslizar-me pela sola. Como se o nosso entendimento se baseasse numa teoria de Wegener: inaceitável para a época, irrefutável para a consciência.

 

 

Instagramirrealidade

Talvez por dentro o sol se desdobre.

Seja parte repartida de si, poeira reluzente, intensidade, contraste e saturação.

Talvez o rio adormeça na margem, a lua seja nova e a maré um pouco cheia.

Seja o pão a entrar para o forno, o cigarro apagado, a constelação em gravidade.

Talvez o medo assombre o teu descanso, o teu corpo recalcado, a tua mente entresilhada.

E deambules e bamboleies e voltes ao início da estrada.

Talvez por dentro o pleno seja vazio e disfuncional.

Irreconhecível como as figuras à mercê do nevoeiro.

E por fora, tudo o que sentes, deveras intemporal como se o mundo parasse e tu fosses o passageiro.

Talvez seja sorte o seu parecer estático, o acontecer só dentro de mim e fora de ti, mas os filtros esgotam a certeza do que viemos fazer aqui.

Ajustamos o tempo e preferimos as sombras à luminosidade.

Enganamo-nos no contraste e de negro realçamos a realidade.

Talvez por dentro o melhor seja definir uma certeza porque com a lente vês, mas não sentes a tua natureza.

Seja como for: liga-te à terra, constrói a tua própria galeria e define a tua vida.

Porque talvez regresses ao menu e nele descubras o bloqueio como ponto de partida.

Sexta-feira

 

Equilibra-te. Lança a corda e descalça os pés.

Lá fora, pedaços de gente correm pelas ruas alcatroadas no encalço daqueles últimos segundos em que o sinal é ainda cor de verde intermitente.

As malas rebolam e o peso é a força predominante neste jogo de prioridades tão pouco intelectuais.

Rompem-se as rodas, encravam-se os fechos e nada mais importa do que o comboio prestes a partir.

Atropelam-se pessoas, confundem-se os que veem a cidade através de uma pequena objetiva e, vendo tudo isto, existe ainda quem desrespeite a azáfama evidenciada por aquela pequena gotícula de suor que se vai repetindo e escorrendo pelas entranhas.

 

Sem Abrigo

 

Tens as roupas sujas e gastas, o cabelo grisalho sem forma ou arrumo, a mão esticada sem convicção.

Há dias que te cortaram a água. Dizem que setembro foi um mês quente e outubro lá lhe vai seguindo os passos, prolongando tal proeza.

Para ti, tanto faz!

Gostas pouco de seguir as tendências. És irreverente! Crias a tua própria moda e às vezes, como ela, és o último grito: aquele que a madrugada abafa e que as tuas próprias forças não projetam.

As olheiras não te incomodam. Aliás, sempre tiveste um fraquinho por olhos esbugalhados repletos de traços promíscuos.

E de cheiros, ninguém percebe tanto como tu! Desde que descobriste esta nova forma de viver que não largas o teu novo perfume por nada.

Encontraste finalmente um que se adequa à tua verdadeira essência, criado a partir dos extratos de dias e dias e noites sem luar. Aquela doce fragrância que revela a tua personalidade e a convicção com que acordas todos os dias à beira de um pedaço de cartão, daqueles que outrora fizeram parte dos caixotes descartáveis de que as pessoas aluadas se desfazem a torto e a direito.

 

Crise de valores

Os últimos dias têm sido marcados por bárbaros acontecimentos que têm deixado a população incrédula com o rumo pelo qual a nossa sociedade parece estar a enveredar.

Falo de tudo: dos incêndios provocados por mão criminosa que destroem uma nação, deixando em cinzas o trabalho de anos e anos a fio; dos maridos que matam as suas esposas e, não raras vezes, se suicidam de seguida; de um homem que assassina e esconde o corpo de três mulheres, uma das quais grávida de um filho seu; dos jovens que se agridem brutalmente sem motivo que o justifique – porque nada justifica a incivilidade que nos tem vindo a ser retratada pela imprensa – e da forma como encaramos, passivamente, todas estas situações.

Pergunto-me muitas vezes o que é que está mal, o que é que se passa na cabeça das pessoas, em que é que este mundo se está a tornar, mas não encontro respostas válidas nem argumentos que me tranquilizem.

 

 

És livre?

E hoje que sou livre, ressoam os cantos das aves e vibram da cítara as cordas harmoniosas. E hoje, que assim é, o sol resplandece em território Português e brinda aos heróis do mar desbravado, ao nobre povo, à nação valente.

Cravos vermelhos, vermelhaços, vermelhuços, vermelhões. Sangue na mesma tonalidade crescente de sofrimento e de paixão, de amargura e de vitória, de guerra, de paz, de conquista.

Hoje, estamos felizes porque é feriado.

Somos cidadãos e cidadãs incautos. Uma cidadania que, por vezes, não prevalece.  

Revela-se um desinteresse sarcástico pelo que pensamos ser um bem adquirido e, ao longo do tempo, tudo o que obtivemos se vai perdendo pelas águas desanuviadas do Tejo.

 

 

O amor venceu...

 

 

Hoje, Portugal deu um passo em frente pela igualdade.

Hoje, Portugal deu um passo em frente pelo amor.

Um amor que não discrimina nem desrespeita.

Um amor que é feliz, genuíno e essencial para o crescimento e educação de uma criança.

Um amor ao qual todos temos direito. Um amor que todos nós precisamos.

Um amor que nao deve ser privado de ninguém somente porque a fonte desse amor não é exatamente igual a nós e ao que consideramos normal. 

 

Não somos, nem nunca fomos, ninguém para limitar a felicidade dos outros, para condenar a forma de estar na vida de quem apenas quer viver e ser feliz à sua maneira, em paz.

 

Éramos todos humanos...

No meio das palavras vazias, ouvem-se os estilhaços da verdadeira crueldade.

 

De repente, o choque apodera-se da liberdade das entranhas.

Sentimo-nos como um pássaro ferido na asa: a liberdade depenada, o coração vazio, a mente bloqueada pelo medo.

Ficamos boquiabertos, sem reação, embasbacados...

Soltos à deriva das lágrimas que o sangue derramou: o sangue da humanidade!

Faltam as palavras, tamanho é o sentimento de revolta e incompreensão... Falta-nos tudo!

 

 

Eleições molhadas, eleições abençoadas

Hoje é a primeira vez que vou votar!

Esperei muito por este momento, o momento em que poderia ter voz, o momento em que poderia contribuir, de forma consciente, para o meu país e para o rumo do mesmo. Há 41 anos o desejo de muitos foi realizado e, por isso mesmo, hoje somos livres de escolher os nossos representantes. Sendo assim, porque havemos de deitar esse direito fora?

Votar é mais do que um direito, é também um dever.

Não adianta fazer manifestações e mostrar a nossa indignação se no dia da verdade não comparecemos.

A responsabilidade também é nossa! Hoje, somos nós que somos chamados a decidir.

 

 

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