Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

III Capítulo / Página 60

Continuo a ler o mesmo livro. Há meses que o levo para onde quer que vá. Há dias que evito cruzar-me com ele. Nesses dias, sombrios fora de mim, volto a ouvir as mesmas canções. As que outrora me entorpeceram com as suas melodias, as que dantes repeti incessantemente até conhecer o perfil das mais diversas cadências, até que mais nenhuma tonalidade chegasse para me arrebatar.

De tempos a tempos, deixo o corpo inerte maravilhar-se como se fosse a primeira vez. E todo ele flui pelos acidentes de cada pauta.

Revivo o tempo, aclaro as memórias, enxugo os desgostos ou o simples cansaço que brota em pequenos soluços inaudíveis e, assim simplesmente, consciente da amargura, anseio ver o mundo pelos olhos de uma criança.

 

 

Eu achava...

Celebrar a vida!

Fui crescendo com a certeza de que a palavra impossível era um mito.

Fui crescendo a acreditar que um dia todos os meus sonhos se iriam realizar. Que eu poderia ser, de facto, quem eu quisesse.

Que não seria o local onde nasci que me impediria de voar, que não seria o meu género que poderia limitar a minha vontade de ir mais longe e que não seriam nunca os outros a escolher o meu caminho.

Fui crescendo a acreditar nas pessoas, no amor, no respeito, na natureza, nos valores, no céu e no inferno.

E agora todas essas “verdades” me destroem por dentro.

Está tudo tão longe… É tudo tão incerto e difícil de alcançar!

Eu achava que quanto mais crescesse e amadurecesse mais perto estaria das minhas metas. Pensava que quanto mais experimentasse a vida, mais confiante viveria nela.

Mas enganei-me. Enganei-me redondamente. Encontrei espinhos e pétalas murchas pelo caminho. E não estava preparada.

Eu que cresci a ouvir os outros, os meus, a rirem. Rirem até que a barriga doesse e os músculos precisassem, por fim, de relaxar.

Cresci a pensar no futuro. Um bom futuro, um destino ainda melhor.

E agora oiço-os todos, do mesmo modo, a falar dele. Do futuro. Do dia que todos queremos longínquo: o último.

 

 

Até onde?

 

Sei que o tempo se escapa e que a vida corre para a morte. Vai no caminho, tão depressa como o pôr de um sol que desponta no outono de um verão em despedida.

As janelas abrem-se para correr o ar e lá fora os lampiões são o retrato esbatido de um clarão a desfocar a vista que se prende nos pequenos pontos que cintilam lá no alto do seu esplendor. O céu longínquo, frio, escuro e idílico.

A estrada vai-se deixando para trás à medida que o velocímetro dispara e o coração acelera. Desejos vorazes, vontades sôfregas, ânsias em chama, palavras a ricochetearem a mente num vai e vem duvidoso.

Aos arranques, ecoa o motor em andamento: ritmo descompassado, absorto em pensamentos díspares, em melancolias passadas, em desejos ainda por desvendar.

E é tudo tão aleatório como esta estadia que nunca chegamos a perceber, tão reconfortante como repetir todas as manhãs, em aconchego, um mantra budista.

 

 

Entornaste-me

Entornaste-me,

Como o café que transbordou

Como a espuma derramada sobre o balcão,

Como o amor obsessivo,

A posse tardia, falsa e endiabrada

 

Sonhos, vida, crenças, tudo ali à volta…

Sem nada.

 

Não foste buscar o pano,

Não tiraste do bolso o teu lenço.

Não!

Deixaste ficar assim: 

A nódoa ressequida, o odor, a deterioração,

De alma desprovida de arrependimento ou qualquer preocupação,

O desprezo propositado,

A indiferença que rasga a pele e corta a vida.

 

 

Poesia de estrada

Em teus versos escrevo o futuro,

Reinvento o tempo, melodias do passado,

E por aí, vejo e procuro

Os segredos do teu mar salgado

 

Pedaços de ternura em recantos escondidos,

Vamos por aí jurando aos ventos

Que seremos amantes livres e perdidos,

Resistentes às mudanças e aos tempos.

 

 

Hoje é feliz!

As pedras rolavam ao sabor do vento, junto com o mesmo ruído das persianas mal fechadas.

Uma ligeira brisa percorria o vão desta pequena janela perra e obstinada.

O céu, inicialmente encoberto, abria-se num esplendor raro, numa dádiva de luz genuína, quente, esbaforida e reconfortante.

Lá em baixo, passados três andares e os seus múltiplos segredos, a vida de quem arranca a toda a velocidade. Os cães livres na sua trela, o pão quente a fazer crescer água na boca, o frio bom que envermelhece as extremidades mais suscetíveis mas que, prontamente o sol faz olvidar.

Os aromas iam e voltavam como o ciclo deste caminho em bumerangue.

 

 

Tantas vezes

Sem fundamento transformo-me no pior que posso ser.

Mudo a expressão, sinto os sentimentos a rebobinar, a mágoa a crescer, o incontrolável a sobressair e uma tristeza profunda a colaborar com este estado crítico.

Dor, saudade, vazio.

Tantas vezes me repito e me maldigo. Tantas vezes chego a casa, de rastos: joelhos esfolados, alma vã, coração adormecido.

Visto o pijama a correr, deito-me, cubro-me e fecho os olhos. Enrolo-me, diminuo o tamanho desta vida, por si só vestigial, e choro desalmadamente num abafo breve, egoísta, assolador.

Choro por saber que amanhã é mais um dia.

 

 

Estou de volta!

Voltei!

Prometi que dia 13 estaria, de novo, pronta para continuar a escrever este poema e assim foi.

Ontem, deixei aqui uma partilha, na rubrica “Em versos alheios”, que para mim fez todo o sentido porque, por vezes, temos de usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência, da mesma forma que, há alturas em que precisamos de parar, gerir prioridades e traçar o nosso caminho, conscientemente e com serenidade.

Eu sabia que, por mais que quisesse, os meus posts não teriam a qualidade (ou a entrega) que costumavam ter porque o tempo e, acima de tudo, o meu estado de espírito não permitiriam que tal acontecesse.

 

 

Pensar em nada, sentir tudo!

Corri pelos sonhos presos à calçada, dobrei esquinas, vivi os cheiros, amei os pedaços de tinta e o esvoaçar das gaivotas que cruzavam o céu em trajetórias desalinhadas, curvilíneas e arrebatadoras.

Cá em baixo, a magnificência de uma sombra desnorteada e passageira, o cheiro das sardinhas a palpitar na brasa, o ómega 3 de uma vida, a cidade em dias amenos.

Atravessei a avenida em rodopios despreocupados, os braços erguidos em movimentos torsionais, as danças sem ritmo, a leveza dos “pés de chumbo” descalços, a despreocupação total.

Só eu! Eu e todos os sentidos, como nunca, apurados.

 

 

Mais sobre mim

Seguir perfil

A ler:

Calendário

Março 2017

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D