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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Maestrina

O céu estava sem forma, pintado por um cinzento claro e baço. Proeminentes, permaneciam os troncos de uma ramada descoberta pelas vicissitudes de um outono caduco.

O contraste permitiria, certamente, que o olhar se detivesse no estendal, perfeitamente alinhado com a interface de duas tonalidades distintas.

Ela tinha parado. Suspensa no tempo, embebida pela incerteza de existirem flores para lá da intensa neblina. E a noite ainda há pouco era uma criança.

Mas ela… Ela já via de outra forma a claridade.

Já deixava que o vento penetrasse todos os poros e que o orvalho escorresse pelas pétalas dianteiras. Já gostava de ter frio por deixar que o vento lhe acariciasse as maçãs do rosto pela manhã. Já pensava em encher os olhos, em guardar tudo para si, em inalar o mundo de uma só vez, em sentir os pequenos detalhes e os parapeitos húmidos, um tanto ou quanto condensados.

E, atrás dela, a melodia estimulava as sensações. Era protagonista daquele momento, daqueles instantes fugazes em que a paz se apoderava do espírito.

E, no entretanto, as colcheias de um caminho por desenhar, escapuliam-se das pautas para o bloco de notas à retaguarda.

E ela não parava.

Escrevia sem dar conta de como se transpunha para o papel, de como era maestrina do seu próprio pensamento.

Era impossível domar os instintos. Impossível não querer beber da adrenalina que o fruto proibido apetecia.

Impossível não sentir a discrepância das suas vozes, perceber a dimensão da sua tessitura e a importância de todos os instrumentos da orquestra.

Como os sentimentos na vida.

Papel principal

Se queres mais um segundo, luta pelo teu último minuto. Os Homens são ambiciosos e o ócio entorpece-lhes as ansias. Caminham entre tábuas de madeira que range e os holofotes voltam-se para os seus semelhantes. Mas não há nada errado! A tua hora ainda não chegou. Veste-te depressa e pinta os lábios da cor da vitória. Dá passos largos em bicos de pé e vai para trás da cortina onde a fantasia se abre em quatro tempos bem contados.

Ao lado, a orquestra ensinar-te-á o ritmo com que se abranda o nervosismo do coração, o modo como se vive o momento, com que se sente o dia a esvoaçar.

E serás em passos largos a história faminta que todos descortinam sem certezas.

O burburinho da plateia, os risos histéricos que, não se contendo, se reprimem.

 

 

Entornaste-me

Entornaste-me,

Como o café que transbordou

Como a espuma derramada sobre o balcão,

Como o amor obsessivo,

A posse tardia, falsa e endiabrada

 

Sonhos, vida, crenças, tudo ali à volta…

Sem nada.

 

Não foste buscar o pano,

Não tiraste do bolso o teu lenço.

Não!

Deixaste ficar assim: 

A nódoa ressequida, o odor, a deterioração,

De alma desprovida de arrependimento ou qualquer preocupação,

O desprezo propositado,

A indiferença que rasga a pele e corta a vida.

 

 

Pétala encarnada

Ardem-me os olhos.

Fecho-os, olho para dentro e inspiro.
Cá dentro sinto a demagogia de um silêncio inusitado, a provocação de uma melancolia nostálgica e verdadeiramente sentida.
O coração fecha-se em copas e debruça-se sobre o estado líquido da emoção.
Esvai-se pelo canto do olho a repressão de um olhar por inteiro.


Acumulara-se ali aquele pequeno resíduo. A maldade do que se vê e retém.

Chega a um ponto em que não se volta atrás e é necessário curar a dor que arde e queima.
É preciso desabar para voltar em força, com fé. Com fome de pétalas encarnadas que, dentro da sua perfeita redondeza, afloram e embelezam o caos dos jardins primaveris.

 

É tudo uma questão de lógica sem frases feitas.
Está tudo escrito ali, no crescimento de um ser quase perfeito.
As pétalas, as cores vivas, as lágrimas doces, as nuances tripartidas.
Está tudo ali: os espinhos pontiagudos, as agulhas desproporcionais...

 

 

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