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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Somos parvos

Somos uma coisa parva.

Não sei precisar nem definir com perícia, mas é a sensação que tenho.

Mais parvos que nós só os dias limpos, azuis imaculados.

Somos uma coisa.

E todas as coisas são parvas, tão parvas como sentir que estamos a viajar quando, em inércia aparente, somos refletidos para a realidade, um pouco menos parva, da carruagem oposta.

Somos parvos.

Somos parvos quando fazemos figas e entortamos os dedos. Mais parvo que isso só os instrumentos afinados, frequências constantes e citações sem comas.

 

Somos assim, meios parvos e meios idiotas; o meio, a terça parte, as fatias todas do lugar enorme que, por um acaso, nos escolheu para praticar e pavonear tamanha parvoíce.

Somos tão parvos que acreditamos em tudo o que ouvimos, que não questionamos as tradições, que não mudamos culturas, que nos deixamos fascinar pelas tendências e mais parvo que isso, bem… mais parvo que isso, só a ambição do Homem que derrete glaciares.

Embora também seja assim: uma parva feliz, descontrolada, esquizofrénica e descontente, reconheço que mais parva do que a minha existência, só o plágio das emoções, as viagens não validadas ou o mau hálito da cusquice.

Vê-se logo quem vive a dobrar ou a triplicar, escusam de disfarçar. Vê-se logo quem suja mais roupa quando as nódoas nascem de um local à beira mar plantado, lá de dentro, dos horizontes imolados.

Somos parvos e mais parvo do que isso, só o mar que se enrola na areia, só os cafés expressos ou longos, só as previsões do tempo.

Um aguaceiro a escorrer por ti, é que era! A ver se aprendes e deixas de ser parvo.

Somos parvos e gostamos de contagiar os outros com a meteorologia, a leitura das cartas e os horóscopos semanais.

Mas a mim não me enganam mais. Deixei de acreditar em números da sorte!

Somos parvos, tão mas tão parvos que encosta à futilidade.

Acreditamos, nas teorias e a vida empírica, que é boa, fica dentro da mala no meio dos livros usados, das calças rasgadas e das meias rotas ou, subtilmente falando, descosidas.

Sim, porque somos tão parvos que substituímos as palavras que definem os verdadeiros acontecimentos por sonoridades mais convenientes e mais parvo do que isso só (des)acreditar numa coisa qualquer sem conhecer por dentro os 99,9% do universo em que vivemos.

Eu cá tenho dois olhos. E isso é a única coisa que não é parva. Porque mais parvo do que isso, só ter olhos e ser míope.

Somos uma coisa parva, todas as coisas são parvas menos o amor.

O amor não é parvo: é ordinário!

É tão ordinário que, hoje em dia, os parvos falam dele a toda a hora, numa espécie de trava línguas ou corações, numa tentativa de filosofias melodramáticas, utopia visceral...

Somos parvos.

Quem dera fôssemos só isso, mas não, como se não bastasse, somos parvos e apaixonados.

 

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