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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Reivindicar o Amor

Para muitos, a época mais especial do ano aproxima-se. Para outros, não existe sequer esperança no dia seguinte.

É assim que o mundo é. É assim que a vida se comporta.

Uns são ricos, outros são pobres. Uns têm saúde, outros lutam por ela.

Uns têm família, outros têm-se a si mesmos. Uns têm sorte, outros menos juízo.

Existem ainda aqueles que, aos nossos olhos, têm tudo o que é preciso para se sentirem felizes, mas, ao invés disso, se sentem vazios. As suas vozes não se ouvem durante a consoada, os presentes desinteressam-se pelos embrulhos, a chama vai cessando e o fumo surgindo em pequenas névoas de esquecimento.

A lareira vai-se apagando…

 

Este ano o Natal vai ficar pelo caminho para muitas pessoas.

Sim, infelizmente, é verdade.

Muitas crianças não vão ter presentes porque lhes falta, entre outras coisas, alimento: o que nutre o corpo e o que acalenta a alma.

 

E para os mais velhos, este espírito jovial de partilha, união, amor e celebração é já uma memória baça, pensam os inexperientes e os ingratos dos seus filhos. Aqueles que não sabem que aquela companhia é o sentido de tudo e que os cabelinhos brancos e a pele engelhada fazem a delícia dos netos.

Este ano, muitos serão os desempregados. Aqueles cujas empresas se encontram em insolvência. Aqueles que não vão poder satisfazer os pedidos do Pai Natal. Aqueles que não vão ter uma mesa farta.

Existirão outros a aparecer na televisão. Com a barba por fazer, a indumentária do costume e um prato de plástico com umas lascas de bacalhau e um copinho de vinho para que também eles possam beber deste cálice e façam parte da mesa do Senhor. Irão perguntar-lhes se se sentem felizes e eles, como de costume, dirão que sim, educadamente. Afinal, a rua espera-os com amor e o relento promete aquece-los à luz das estrelas.

Muitas famílias, por sua vez, vão ter menos lugares na mesa. Uns ausentaram-se em busca de um sonho. Outros partiram para um outro lugar levados por essa mesma vontade de sonhar. Destes, alguns porque um Deus assim quis, porque a hora tinha chegado, porque a missão se havia cumprido. Os outros, porque um Diabo assim designou. Porque alguém se atravessou à frente, porque o combustível não era suficiente para percorrer toda a rota, porque as orientações sexuais ainda podem ser letais ou até porque as crenças de cada um se podem tornar um poderoso atentado ao seu semelhante. Apenas alguns exemplos…

Exemplos daquilo que vejo hoje, talvez porque cresci ou porque, por outro lado, a humanidade se tornou mais pequena e me vai fazendo desacreditar nos ensinamentos transmitidos pelos meus próprios pais. Os que, quando eu era pequenina, me diziam ternamente para fazer sempre o bem, sem olhar a quem.

Segundo eles, só assim eu seria verdadeiramente bem-aventurada. Se partilhasse, se me desse a conhecer, se fizesse alguém feliz e se, acima de tudo, ficasse ainda mais contente por isso. E eu fui crendo nessas palavras. Via nelas luz, sentia-lhes a paz, respirava-lhes o amor. Eu achava que assim poderia contribuir para um mundo mais justo e mais livre. Para um mundo mais pacífico e solidário. Para um mundo melhor.

Eu pensava que podia mudar o mundo.

Mas, eu agora sei que não!

E foi isso que me fez deixar de acreditar no Pai Natal: olhar à volta.

Ver o mundo injusto em que vivemos, o mundo de contrastes. Ver como tudo tem vindo a cair por terra.

O respeito perde-se a cada dia que passa, a paz destrói-se pela crueldade dos atos e de repente, os recursos da Terra vão-se esgotando, afetando todos os subsistemas. Nós vamos acabando uns com os outros. Destruindo aquilo que resta do planeta dos valores, do universo da Humanidade.

Deixamo-nos contaminar por hierarquias, por guerras antigas, ambições desmedidas, instintos primitivos.

E vamos destruindo tudo à nossa volta enquanto nos convencemos de que ainda resta muito daquilo que somos.

Mas não resta nada. Quando semeamos o medo, quando toleramos as injustiças, quando comprometemos a segurança do outro, não resta nada.

Não acabem com a liberdade, não matem a inocência.

Parem! Amem-se, olhem para dentro de vocês. Acendam a luz!

Porque eu sei que hoje, para muitos, foi noite o dia inteiro.

Sei que, enquanto dormia bem aconchegada, num outro canto do mundo se viu gritos, se cheirou tiros, se ouviu sangue, se sentiu o choro em murmúrio de centenas de crianças e o medo sustido no olhar dos restantes.

Sei que se vive, no presente, a guerra. E é Natal.

E talvez esta seja, precisamente, a época certa para espalhar sorrisos, proclamar a paz e reivindicar o Amor!

 

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