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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Quase perto

 

Estive quase perto do desassossego, quase perto do mar cheio, a transbordar.

Estive quase perto dessas ondas que se emaranham nas rochas e destroem os alicerces que te vi lutar para construir.

Estive quase perto dos dias de chuva escorregadios, frios, ventosos e pragmáticos.

Estive quase perto, mas fiquei longe, a observar a tempestuosa e estranha forma de vida dos que se atiram e mergulham, embebidos, em pesadelos e alarmes intermitentes a ecoar.

 

Estive quase perto de acreditar que o tempo varria as mágoas, que o mar as roubava à terra e que lá, naquele poço sem fundo, o amor as sucumbia.

O amor é um poço sem fundo.

Tudo de ti, vai parar a ele. Ele suga-te até a tua alma não ter mais alimento. E, aí, tens de sobreviver!

É uma luta entre ele e a tua dignidade, entre o quereres e não quereres. E nem sempre somos capazes de aceitar o destino que nos escolhem.

Damos voltas: voltas à vida, voltas aos sonhos, voltas aos sorrisos, voltas ao que não volta. No fim, sabemos que por mais voltas que dermos, o fim é sempre o mesmo. 

Dilemas de expressão, estados neuróticos, raiva, a efervescência e a efusão ao escrever o que se sente, ao desabar, ao deixar cair as tentações, ao desmembrar os sonhos cobertos por pedaços de ilusão revestidos de coragem e positividade.

De tantas e variadíssimas escolhas, optamos por nos juntar a ele, à simbologia bem terrena dos buracos negros, fortes, inabaláveis e temíveis.

Um campo magnético de atrações. Uma luta constante.

O querer roubar um pedacinho mais do outro, a esperança de toda a humanidade, que hoje também mata.

Eu estive quase perto.

Fiquei tentada e decidi não avançar. À medida que os meus pés denotavam a sua firmeza, para trás, o caminho desfazia-se em fendas espessas, sísmicas, aterradoras…

O caminho seria para a frente e a indiferença para o lado esquerdo. O lado esquerdo que percorre o teu corpo num arrepio disfarçado. O lado esquerdo, que aos poucos a vida remenda.

Estive quase perto do cinzento que o céu, de quando em vez, veste.

Estive quase perto das palavras pontiagudas costuradas e alinhavadas com uma linha que se vai soltando, à medida que o tempo te massacra e te descose por dentro.

Estive quase perto, mas fiquei longe.

 

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