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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Por entre riachos

           

Quando me lembro de mim vejo o carvão aguçado das memórias baças.

A lâmina fina, o sujo impregnado na fragilidade de traços imprecisos, a mistura de um horizonte distante e completo.

Não me lembro bem do toque dessas palavras amargas.

Escorre em mim uma inquietude, uma vida alheia não promissora.

Às vezes, vejo o rodopio destes dias, olho à volta, e tudo se assemelha ao que deixei passar.

A vida corre pelo riacho da precaução. E nós desaguamos lentamente na solidão que nos entrelaça.

Para nós é noite. O sol acabara de gritar pela lua. As costas estalam, os pés arrefecem e pequenas sentinelas celestiais acompanham os suspiros reluzentes.

Escavou-se em mim a lembrança das noites infravermelhas. Era eu e a pureza de uma radiação assertiva. Fui eu e os morangos colhidos de véspera junto das toranjas maduras.

Já me lembro.

 

Lembro-me como se a vida fosse apenas dois dias e uma gota de mel.

E o resto, cada sinal levou.

Às vezes, perco a memória de cada bocejo. É em cada bocejar que me revejo. A neblina atravessa-se, os sentidos baixam a guarda, reviramos os olhos.

Falta pouco para me esquecer de tudo e aprender a morrer.

Fecham-se lentamente as pálpebras, os ombros descontraem, as pernas encolhem-se em malabarismos primitivos, e, por fim, queremos sonhar.

Talvez a morte seja o sonho eterno...

O sonho que começa e nunca acaba, que nunca é interrompido.

Há teorias e teorias.

 

Os cestos de milho dourado permanecem intactos, enquanto me cultivo, sem lei, ao desbarato, por entre os devaneios que me concede a direção deste índigo carmim envelhecido. Indicador sábio, perpétua incerteza.

Já me esqueci.

Apaga o mundo para que me possa lembrar dele.

Vem!!

Vem e adormece comigo, num embalo cego e despropositado. Talvez o nosso sonho vá mais além...

 

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