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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Pétala encarnada

Ardem-me os olhos.

Fecho-os, olho para dentro e inspiro.
Cá dentro sinto a demagogia de um silêncio inusitado, a provocação de uma melancolia nostálgica e verdadeiramente sentida.
O coração fecha-se em copas e debruça-se sobre o estado líquido da emoção.
Esvai-se pelo canto do olho a repressão de um olhar por inteiro.


Acumulara-se ali aquele pequeno resíduo. A maldade do que se vê e retém.

Chega a um ponto em que não se volta atrás e é necessário curar a dor que arde e queima.
É preciso desabar para voltar em força, com fé. Com fome de pétalas encarnadas que, dentro da sua perfeita redondeza, afloram e embelezam o caos dos jardins primaveris.

 

É tudo uma questão de lógica sem frases feitas.
Está tudo escrito ali, no crescimento de um ser quase perfeito.
As pétalas, as cores vivas, as lágrimas doces, as nuances tripartidas.
Está tudo ali: os espinhos pontiagudos, as agulhas desproporcionais...

 

E é tudo tão perfeito, aparentemente, que a nossa objetiva apenas foca o que de menos essencial desabrochou.

 

Por mais que olhe, não vejo mais do que pétalas profundamente perfumadas. Um aroma do Éden. Impossível.


Parece tudo tão belo, tudo tão organizado e puro que os meus olhos não resistem, emitem sinais para um qualquer subconsciente louco e sem escrúpulos, e de imediato os pequenos e ariscos tentáculos humanos assaltam a forma de um corpo sensual.
Com cuidado, para que o desejo não supere os limites da lucidez, apalpam o terreno e com uma brusca subtileza retiram à terra o que só a ela pertence, o que só nela nos emociona.

 

Tenho uma rosa infeliz entre os dedos. Foco o seu coração, estudo o brilhozinho do seu olhar discreto e percebo que nada de mais forte existe no mundo.

 

Pelo caminho, tropeço nos paralelos salientes, vagueio em ziguezague, enquanto o sabor daquela silhueta verde e encarnada me invade as entranhas.
De quando em vez, sinto as armas penetrantes desta que é a melhor combatente de guerra.


O vento começa a soprar, de mansinho, o desiquilibrio aumenta proporcionalmente e toda a realidade se desfigura.
Vai uma, vão duas pelo chão, a rastejar junto de uma menor perfeição não observada...
Assim, vou perdendo este tesouro para a brisa indomável, que segue fugaz, que não se detém, que transpira liberdade...
Sinto o meu corpo a balançar, formando ondas imprecisas e indiscretas, ganhando liberdade e ligeireza.
A minha arma não vence, cai por terra. Toda ela desfeita, a espelhar o seu sentido por aí. Junto de almas perdidas, corpos reversos.


Fica apenas o que de mais feio se destacava num conjunto harmónico e subtil: as folhagens verdes, os picos afiados.

 

Talvez a beleza seja frágil, concluí, por entre a ramagem da floresta.

Talvez o mais bonito seja o que desvalorizamos, a diferença... Um caule tísico e envergonhado.

 

Ardem-me os olhos.
Fecho-os, olho para dentro, inspiro e encontro a minha cura.

 

Hoje, talvez seja mais forte e mais bonita!

Sou a minha fortaleza e o que faço de mim. O progresso, o melhor, a reinvenção! 

Serei sempre isto e um dia, os olhos deixarão de me arder e a esperança será devolvida à fertilidade do solo, à semente dourada, ao coração quente e bem nutrido.

 

Tão bonitas são as rosas da vida!

 

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