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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Origem

Escrevo-te em livro aberto.

Lombada espessa e um marcador vermelho de seda a pender sobre as folhas amareladas.

Pelo meio, vocábulos que se unem num poema esfarelado. Esquecimentos dispersos em cronologias sem ordem prestigiada, fragmentos soltos de um eu alpinista de luvas e gorro, de óculos e certezas sombrios.

Falta-me a memória.

Deixei as conexões rastejarem aos pés da norma e vim escrever sem pena ou tinta indelével. Sem passado.

Vim para o cimo da montanha respirar o mesmo ar de quem olha somente para baixo. Vim ver como escalei em ziguezague uma vida que se queria reta e previsível.

E vi. Vi como continuo lá em baixo à espera de uma corda que me ate e me puxe para trilhos autênticos, para os rochedos cobertos pela humidade dos musgos frescos, para as pequenas cascatas dos entremeios que saciam a genuinidade dos verdadeiros seres mais primitivos.

 

A numeração esculpi em árabe, a história é poliglota e sem origem.

O que se conta com o coração não tem estado, o que se expressa pela alma é um todo sentido e os parágrafos uma lufada de ar que penetra os poros da sensibilidade, que irrita a pele, que amacia o cabelo e quebra os prantos, que nos dá aquilo que oferecemos.

Escrevo-te em livro aberto uma viagem sem partida, num processo de autodescobrimento pela vila que se elevou a cidade, pela estátua de madeira que se soergueu de rompante, pelos tempos remotos, pelos livros em pilha, pela estrada aos solavancos.

O fim será a certeza da plenitude, o culminar de um dia misturado com os flocos que adormecem sobre o céu e sobre a terra.

O ponto de chegada ao ponto de partida.

Vê-lo pela primeira vez. Senti-lo do princípio. Descobrir o íntimo que traí e deixei pendurado, ao relento, no estendal.

A essência é fria e eu ainda procuro as rédeas do primeiro choro sincero. Esvoaçaram com o devorar de cada página, cada letra descaída da melodia a que pertence.

O fim será a certeza de que ainda procuro o meu destino e que nada mais vou querer encontrar.

O fim será a pauta de uma vida em busca do regresso a casa!

 

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