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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

"Obrigada..."

Os dias vão-se rotulando.

Cresce uma vontade visceral de emprestar cores ao tempo. De significar as palavras e de, para o efeito, as assinalar em momentos efémeros.

Existem “dias mundiais”, datas importantes que se perpetuam no tempo. E existe a nossa forma estranha de denotar sentimentos.

São pouco cordiais as meras vinte e quatro horas de destaque quando as emoções fermentam ininterruptamente dentro de nós. Quando são pequenas bombas-relógio, pequenos rastilhos que desencadeiam guerras turbulentas no peito.

Os tempos mudaram. As gerações cresceram. Vejo, nos olhos de hoje, o espelho de novas trivialidades, cujo engenho se foi fomentando aos poucos, de há uns pares de anos a esta parte.

E digo-o porque sinto, como nunca, a terra deslizar-me pela sola. Como se o nosso entendimento se baseasse numa teoria de Wegener: inaceitável para a época, irrefutável para a consciência.

 

O “certo” e o “adquirido” são sensações voláteis. Imagens perversas que nos acalmam e nos conduzem a uma ilusão em constante metamorfose.

Sente-se por perto o segundo sentido. A pureza a escapar-se como o fumo que polui o ar que inspiramos.

Sente-se por perto a deturpação de cada palavra-chave como o “amor”, por exemplo. Como a “saudade”, como o “por favor”, o “desculpa” e o “obrigado”.

Criamos o nosso próprio dialeto. Aos poucos.

Manuseamos os vocábulos e acorrentamos a essa prática o seu valor sentimental e a essência da verdade cai em catadupa.

O que é. O que será sempre. Porque só assim existe.

Hoje, ferimos uma vez mais, pequenas porções de uns dicionários em desuso e talvez essa seja a única forma de reciclar, esporadicamente, a boa educação.

Porque o dia 11 de Janeiro, como dizem por aí os mais virtuosos, é o dia do “obrigado”. Mas não, hoje não ensanguentamos só este pequeno aglomerado de oito caracteres. Hoje torturámos todos os seus sinónimos e o desrespeito, nessa medida, é imensurável.

Porque hoje, só hoje, é dia de agradecer aos meus pais por tudo o que sempre fizeram e fazem por mim. É dia de agradecer a perfeição da natureza ou as circunstâncias mais macabras da vida. Hoje, tenho de reconhecer o valor da minha saúde, sem nunca deixar de agraciar os amigos que me suportam todos os outros dias em que não estou grata. Todos os outros dias de palavras vãs e gestos obscenos.

Porque hoje, na verdade, eu também escrevi sobre isto e fui cúmplice por lhe atribuir a importância que denuncio.

Fui coerente?

Obrigada...

 

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