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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Meteorologia

Às vezes, a vida não é fácil.

Passa por nós, leva-nos de arrastão e lá vamos aos trambolhões.

Ficamos sem vontade de agir e as palavras secam. Não sabemos o que fazer.

Perdemos a direção, questionamos o rumo e todas aquelas escolhas que nos conduziram a este beco com tantas saídas e tão pouca luz.

Olhamos para os lados, cabisbaixos, e ninguém nos estende a mão, ninguém é quem procuramos, ninguém é aquilo que queremos.

 

E todos são aquilo que precisamos!

À nossa frente. Ali, em poucos passos e ainda menos palavras.

Estão ali todos e somam-se ao poço sem fim de sonhos, à imaginação para além da dor, ao desejo primordial, ao suspiro de avanço e complacência e nostalgia e reviravolta.

 

Às vezes dói.

“É a vida” e “vai-se andando” conforme se pode. Sem queixas, sem remédios milagrosos, sem poesia que nos salve do encolher de ombros.

Mas, a verdade é que às vezes dói a sério!

Dizemos e sabemos que sim. Não sabemos o porquê, o como, o onde.

Vamos, viajamos pelas possibilidades à procura.

O volume no máximo, a contemplação em busca das respostas desprovidas de qualquer questão complexa e alguém que, de repente, nos interrompe para pedir uma simples informação.

A mim, perguntam-me várias vezes com admirável gentileza, se lhes posso indicar a zona de entrada para as visitas do hospital.

E eu sei. Sei tão bem. E sorrio por parecer que todos sabem que eu sei.

Depois fico, fico a olhar para aquela porta, lembrando-me da melancolia e da esperança de cada “alta” que já vivi.

De como estar ali era tão pragmático.

De como estar ali simplificava tanto os problemas que hoje me faziam deambular.

De como estar ali era sinónimo de luta, de querer, de vencer, de sorrir.

 

E o mundo seguia em boomerang: o jornal que denunciava o vento forte, a beata que reacendia, os flashes, que se ouviam disparar em sincronia com o canto dos pássaros mais rebeldes, as crianças que choravam e o tráfego que já não era mais do que um mero ruído banal e rotineiro.

O destino cruza, a vida faz e eu reescrevo.

E, no entretanto, a música fez pausa - na entrada para o refrão - e o silêncio encontrou a calma que há muito me escapou.

Mas tudo volta, bem depressa, e eu começo a ficar farta.

Farta dos dias cinzentos. Farta do tempo. Farta da cor. Farta da pressa. Farta da morte. Farta das nuvens destes dias sem piada.

E talvez o meu querer fosse imperativo.

Talvez fosse possível arrastar a nuvem para longe, movê-la em bicos de pés – as pontas amadoras de quem dança com o vento, sem guarda-chuva e sem ensaio.

E talvez tudo fosse mais fácil: a vida, a dor, eu mesma e só eu. Talvez tudo fosse mais fácil se houvesse um ensaio e o espetáculo não fosse mero improviso.

Mas, às vezes, os personagens não são os protagonistas da peça.

 

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