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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Insónia

São três da manhã.

A alma permanece deitada, presa pelo conforto de um desassossego incontrolável.
Alumia-me um feixe de luz , um farol improvisado, um guia sem destino.

 

Estou ensonada, sem palavras ou pretextos.

 

O dia foi longo, a noite morosa.
Tenho pesadelos, medo de trovões, frio de tudo.
E no meio de tudo isso, uma palavra por dizer.

 

Procuro a palavra no meio dos lençóis, como um predador procura a sua presa. E tão feroz é essa sede que passo por ela e continuo.
Digo que continuo à procura, que nada me sacia e não espero.
Percorro filosofias e acabo a morder o lábio inferior, com sede de mais, com raiva de mais, com impaciência a mais.

 

São três da manhã e já dormi tudo. 

 

Estou naquela fase em que todo o meu corpo liberta energia e se atropela com gosto.
A acostumada indecisão entre o acordar e o adormecer, porque nenhuma delas, analisando bem, é uma realidade suficientemente feliz para que a deseje.

 

Todavia, o dilema é frustrante e chega a maltratar o que até agora era são: o corpo físico, o sorriso físico, o aspeto físico.
A física em tudo o que nos rodeia, portanto.
Tudo o resto é ruína e autodestruição. É passar tempo demais a olhar para fora, para o lado e para dentro.

É não ter meio-termo e continuar no morre-morre do costume.

 

São três da manhã. O tempo não passa.
Desbobino matéria, floreio palavreado e nada digo e nada sou.

As mantas calam-se, o coração acelera. Fica à espreita, fica alerta.
Está mau tempo lá fora. E a tempestade começou cá dentro.

Chove bem na paz deste leito. E eu tenho febre.
Quem dera pudesse dançar à chuva com os meus dois pés esquerdos. Talvez um deles endireita-se o que há muito anda torto.

 

"Um dia, vou ser rica." Diria eu, lucidamente.
Hoje, penso, apenas, num estado de fantasia febril, que "Um dia vou ser eu".
Eu quem?!
A mesma alucinada que acorda para pensar, que não dorme para pensar e que não pensa em nada.
Eu, aquela que as respostas questionam, que as perguntas indagam.
Vou ser eu, aquela que sabe ver as horas.

 

São quatro da manhã na madrugada deste olhar distante e vazio.

 

O farol desviou-se numa refração muda. Sinto agora a escuridão invadir-me a pele.
O dia foi longo, a noite morosa.

 

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