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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Inebriados pela chama

Cigarros acesos, luzes refletoras, cores gritantes, palavras ocas, sorrisos histéricos, almas vazias, mentes extintas.

O poder de uma noite ao relento: sem sabor, sem memórias, sem sentido.

Os ingredientes necessários, o perigo recorrente e o prolongamento da efemeridade da vida.

Passam-se duas horas. Os efeitos são estupefacientes num corpo que pede água viva para despertar das trevas.

Os movimentos lembram marionetas bem conduzidas em dias de espetáculo. O corpo retrata a indiferença dos fantoches estáticos sem rumo, verdade ou poder de decisão.

Vamos a meio e metemos a quarta sem sustentar a velocidade. Rimos para cima. Para onde os olhos ainda conseguem decifrar uns pontos reluzentes no meio da escuridão.

 

Às vezes, também choramos: de tanto rir, de tanto querer que tudo passe, de tanto sabermos que estas sensações de liberdade e felicidade são uma ilusão passageira, fútil e ainda mais desgastante.

Estamos inebriados. Presos ao copo. Presos à nossa história. Fora de nós na perspetiva de alcançar algo de maior ou de ainda mais redutor para crer e ter forças.

Mas nada acontece. Reduzimos o nosso valor à ponta da beata, o lume esvai-se e no fim atiramos o cigarro para bem longe ou para onde a força do nosso próprio balanço atirar as pequenas mágoas lá depositadas.

Com sorte, ainda vamos lá, atrás de um mal que aquece e afaga a podridão que negamos. Pisamo-lo, recalcamo-lo, apagando cada resquício de lume ardente, de chama acesa, de vida ativa.

Fazemo-lo na mesma rotina. Com naturalidade e um toque de incompreensão, à semelhança do que fazemos connosco há já dias incontáveis e tempo de cortar a maré contra a corrente.

Fazemos o que nos resta. É pouco.

Dançamos até cair, divertimo-nos, esquecemo-nos de quem somos para podermos ser felizes, para podermos ter paz.

Ciclo vicioso da perdição. Realidade desconhecida. E nada está bem.

Porque nunca a felicidade e a paz de espírito advêm de uma despersonalização temporária.

O que é bom está dentro de nós na mesma proporção do que não é tão providencial assim.

Há noites em que saímos e transbordamos. Saímos de nós, estamos fora de nós. E o regresso é sempre amargo: boca ressequida, mente atordoada e a vida no lugar onde estava como se o tempo não passasse.

Mas passou. Foi adiante. Amanheceu.

Estamos sóbrios, sem lembranças e com a mesma necessidade de ressaltar, de respirar, de ser.

Ser de dentro para fora.

 

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