Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Índigo Carmim

Passei pelo mundo.

De olhos revezados, pelo corante insípido dos teus passos, troquei os pés.

Dei meia volta, numa pirueta envergonhada de não saber.

Gatinhei pelos prados verdes, ouvi o entristecer das gaivotas, o choro das cascatas altas e impetuosas e o ar sem cabeça ou cabecilha da sensibilidade do leito, pelo qual, os lábios se cruzam em pregos fundos, desenferrujados, amantes, sonhados, comprometidos.

 

Fui como os outros: atrás da corrente, deambulando pelos destinos cruzados e pelas estradas alcatroadas e vagarosas.

Passei por mim, como quem dobra uma curva ao quilómetro cento e cinquenta e seis.

Foi num instante.

Afinal, o que haveria eu de ter que me prendesse e me fizesse contemplar este monte de ossos quebrados pelas ondas? Nada.

Nada que travasse a aceleração, a variação de velocidade que apenas sinto, que apenas movimento, que o é apenas.

Passei pelas palavras.

Pela preguiça demais, pelos sonhos demais, pelo tempo demais, pela vida demais, pela ação de menos.

E, entretanto, quase me deito ao rio, nesta encruzilhada. Quase me torno a hipérbole do descontentamento. A má figura, o gelo que não derrete, os pés frios, a manhã insana.

Já não é “quase” aquilo que eu sou. E mesmo que o seja, é segredo.

Ninguém sabe.

Placas demais, destinos de menos.

E que direção tomar quando os satélites não se alinham e a desordem é a ordem?

Já tenho idade.

A idade que pesa e se carrega como um fardo.

A idade sem juízo.

Tenho a idade de saber o que sou, quem sou, o que quero fazer, como quero fazer.

Como quero viver.

Tenho tudo, menos certezas. Tenho tudo, menos coragem.

Sonhos escritos num pedaço de papelão embrulhado em plástico opaco. Vergonha. Medo de querer dar o grito da revolta.

E, traduzido por miúdos, medo, muito medo de ser feliz!

Digo eu, que passei pelo mundo. Tal ingenuidade se apoderou deste corpo em hipnose…

E foi o mundo que passou por mim, que pintou e deixou o rasto a de cor-de-rosa.

“E a chuva parou de cair”.

 

6 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

Seguir perfil

A ler:

Calendário

Janeiro 2016

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D