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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Espelho meu

 

Olho-me ao espelho.

O mundo pára, sou só eu: despida de tudo, despida de todos.

Há verdade. Há fragilidade. Há incerteza.

Há mais para além daquilo que o passo generaliza e é bem maior do que eu esta vontade de me olhar, de me ver por dentro, de me ler, de me sentir só e tão grandemente acompanhada por este exímio poder de resolução, por esta objetiva penetrante e clara.

Vejo poucos reflexos. Vejo uma figura que chora e ri para si mesma e se contorce. 

Olho-me ao espelho.

É repugnante a cera com que me moldam, os padrões em que me enquadram, a boniteza do meu fracasso.

O mundo afasta-se e enrola-se, como um novelo, para dentro de si. Espalho tudo à minha volta, tudo o que não sou, tudo o que tenho de ser, tudo o que gostava de ser e não ser. Em mim fica o nada, o nada que é tudo... Porque nada sou eu!

 

Olho-me ao espelho.

Estou vazia. Estou completa.

Procuro ainda o oásis, a fonte de vida, a perdição, persuasão, a gula como virtude, o pecado como deslize.

Olho-me ao espelho.

Dou liberdade ao que vive aprisionado, todos os dias, em mim e é assim que sou feliz. Sozinha. Abrindo a gaiola, sobrevoando as grades.

Sou eu, assim, sem pensamento.

A pensar em nada. A ver nada. A sentir nada. Simplesmente, a Ser.

E de súbito, olho-me ao espelho, esquecida por momentos, num adormecimento sereno, embalador, nostálgico, impercetível.

Um arrepio percorre a serenidade das articulações e estremeço. Vibro. Acordo!

Tudo regressa. Sinto um choque, dou um salto, tento equilibrar-me e recuo, travo-me, esbarro-me, abro os olhos e volto ao que não sou: aos dias amargos, às saudades camufladas, aos receios.

Nunca soube ser.                                                                               

Nunca soube lidar comigo, contigo, connosco, convosco.

Nunca soube.

Nunca soube dar-me a conhecer.

Nunca soube ter tempo, parar no tempo, olhar o tempo, perder-me no tempo…

Fiquei sempre à margem.

Fiquei sempre aquém…

Sempre além.

Naquela perseguição de um qualquer dia.

Olho-me ao espelho.

O que vejo?! Poeira, sombra, escuridão.

Quebrei o espelho sujo.

 

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