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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Crise de valores

Os últimos dias têm sido marcados por bárbaros acontecimentos que têm deixado a população incrédula com o rumo pelo qual a nossa sociedade parece estar a enveredar.

Falo de tudo: dos incêndios provocados por mão criminosa que destroem uma nação, deixando em cinzas o trabalho de anos e anos a fio; dos maridos que matam as suas esposas e, não raras vezes, se suicidam de seguida; de um homem que assassina e esconde o corpo de três mulheres, uma das quais grávida de um filho seu; dos jovens que se agridem brutalmente sem motivo que o justifique – porque nada justifica a incivilidade que nos tem vindo a ser retratada pela imprensa – e da forma como encaramos, passivamente, todas estas situações.

Pergunto-me muitas vezes o que é que está mal, o que é que se passa na cabeça das pessoas, em que é que este mundo se está a tornar, mas não encontro respostas válidas nem argumentos que me tranquilizem.

 

Como é suposto que as pessoas se sintam quando se apercebem que a sua segurança não está minimamente a salvo e que a sua liberdade e dignidade são, cada vez menos, respeitadas e cada vez mais, ameaçadas? Como é suposto confiar em alguém quando o ditado popular “quem vê caras não vê corações” ganha cada vez mais ênfase?  

Como é que podemos acreditar no Homem quando o seu comportamento nos provoca uma estranha sensação de repugnância e trepidez pelas suas atitudes desprezíveis?

Como é suposto assistir a tudo isto e ver que nada é feito no sentido de repor a justiça e a normalidade?

São demasiadas perguntas para problemas de dimensões ainda mais descomedidas.

Tenho dezanove anos e sinto que a nossa sociedade está a atravessar uma enorme crise de valores!

Talvez o estivesse também há dezanove anos atrás. Talvez o mediatismo que é, hoje em dia, dado a estes crimes potencie a ocorrência de outras atrocidades similares.

Talvez hoje se fale demais e se aja de menos porque, na verdade, não sei até que ponto este constante bombardeamento de informação a que estamos sujeitos é saudável e construtivo: os pormenores proferidos meticulosamente, as reportagens de horas e horas vistas de diferentes perspetivas, os comentadores politicamente corretos que pelo seu nome justificam um aumento do volume da televisão, os pequenos clichês que o vizinho acrescenta ao retratar algo que, por si só, já é suficientemente perturbante…

É incrível!

É incrível a velocidade a que adquirimos todo o tipo de informações. É incrível porque apresenta de facto inúmeras vantagens. É incrível porque, por vezes, acarreta prejuízos bem maiores.

Incrível porque ainda não aprendemos a gerir tudo isto que nos chega através de um smartphone enquanto, pela manhã, escovamos os dentes e engraxamos os sapatos.

É incrível porque é um contrassenso!  

As redes sociais são um livro aberto sem direitos de autor. É lá que se refugiam os mais tímidos e aqueles cujo silêncio embaraça. É lá que se perdem à procura de se encontrarem. E o mundo real deixou de fazer sentido. As conversas são incoerentes e embaraçosas. Os discursos, supérfluos e o tempo desperdiçado em comentários impercetíveis com corações, ondas, e macacos a esconderem os próprios olhos. Talvez porque, até eles, se envergonham pelo avanço com que recua a estimulação das relações humanas!

De repente, é como se estivéssemos todos num jogo de computador em que cada um é uma peça, irracional, movida aleatoriamente por alguém enquanto na cozinha se prepara aquela pizza com cogumelos e ananás em calda.

Mas, lamento imenso, os problemas não se resolvem através da troca de galhardetes no mural do Facebook. O ser humano nunca vai ser melhor por postar um prato de comida gourmet no Instagram ou por tirar uma foto com o rosto coberto pelo fumo do cigarro,, que ainda estamos a aprender a fumar, na tentativa de nos emanciparmos e afirmarmos socialmente.

Não é esse o caminho!

O trilho está no resgate de palavras como o respeito e a tolerância. Na capacidade de dizermos “Não!”. Na coragem em assumirmos as rédeas da nossa própria vida. Na forma como conversamos e percebemos o outro.

O percurso passa por voltarmos a dizer aquele “Obrigada!” cortês, quando a senhora da mercearia nos dá o troco, sem que à entrada nos tivesse escapado o “Bom dia!”.

O segredo é pararmos de culpar os outros pelas nossas próprias faltas. O segredo reside na educação que os pais dão aos seus filhos, nas conversas que têm com eles, nos conselhos e, sobretudo, nos exemplos.

Na forma como somos capazes de ler o nosso coração e aceitar que a vida é feita de obstáculos para que, com eles, possamos crescer.

A chave encontra-se na nossa capacidade de domar aquele pequeno diabinho que todos os dias espreita pela janela com que olhámos o mundo.

Lá, não se inclui a cobardia com que caracterizo a violência.

Porque, como tão sabiamente nos disse o Santo João Paulo II, “A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano.”

A diferença parte de nós. De mim e de ti. De dentro para fora!

 

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