Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Cor do vento

Voltaram os dias cinzentos, as luzes pálidas, os rostos cravados no que foi e já não é: nos acontecimentos intragáveis, nos dias irreversíveis, nas memórias imaculadas que restam do sonho inoportuno do horizonte.

Voltaram os passos largos e voláteis dos corredores assoberbados e voltei eu também.

Vim para viver a nostálgica saudade do ontem, a ansiedade irremediável do hoje e a incerteza de todos os outros dias que suporto.

Os novos desafios, os dilemas, as novas oportunidades. Enfim! Os momentos que me fazem estar certa de que também o passado é um tempo incerto. De que também viver nele será somente redescobrir o mesmo erro, repeti-lo, rejeitá-lo, ser-lhe servo e crescer.

Acredito que a adversidade nos faz melhores: cientes dos obstáculos, trabalhadores em prol de uma causa. E, muitas vezes, essa causa somos nós próprios!

 

Medramos quando olhamos para dentro de nós e nos consciencializamos de que, a escolha aleatória de ontem, é a verdade ou consequência de hoje! Florescemos quando damos cor ao vento e concebemos o nosso início a partir da inevitabilidade do nosso fim.

E quanto às verdades, algumas pouco se toleram, jamais se aceitam e acabam escorraçadas para debaixo do tapete. Tentamos atenuar um facto que magoa pelo triste engano da omissão e acabamos presos à consequência: o reflexo em estado puro de uma decisão pouco ponderada que chega a doer, a ferir e a ensanguentar.

Mas lá surge o tempo. A bonança que procede a tormenta.

E a maré abranda, o vento muda de direção e os astros caem sobre os pensamentos. Surge a vontade de pintar a vida, de a colorir conforme os dias, de a derramar pelas paredes, de a exaltar de cabelos ao vento, sendo arte com formas, sendo vida real.

Comestível. Pura. Incontestável.

Mas, vai daí que surge o medo. O receio de falhar no tingimento, de desbotar o que ainda não se agarrou à pele: a pele que há em mim.

Surge o medo porque o medo surge sempre.

E o meu agarrou-se à tinta pelo receio da podridão em que este corpo se transformará quando a vitalidade lhe carecer. O medo daquilo que fechará os meus olhos para o mundo. O medo desse dia porque, no momento em que a luz se apagar, apenas de uma cor se pintará o que resta desta tela.

Preto.

Um preto sujo e cansado, farto de escolher!

 

11 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

Seguir perfil

A ler:

Calendário

Janeiro 2017

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D