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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Capítulo 2015

Hoje decidi sentar-me, pegar no meu poema e ler meia-dúzia de versos.

Quis recordar as rimas que outrora escrevera: os vilancetes, os sonetos, as quadras, os sentimentos primaveris de uma vida toda…

Quis vasculhar e criticar, de novo, a falta de criatividade de cada rascunho, de cada rabisco atirado para fora de pé.

E foi bom!

Foi bom rir-me daquele erro ortográfico, daquela vírgula que tantas vezes separou o sujeito do predicado.

E desengane-se, desengane-se quem pensar que os poemas são meras utopias, rigorosamente estruturadas, com palavras que se procuram por entre o caos e o auge da maré alta, porque os poemas também são feitos de dias cinzentos, de palavras feias e ciclos viciosos.

Às vezes, dá vontade de apagar tudo e começar tudo de novo, sem que um dicionário ouse sequer aproximar-se dos papéis rasgados e oprimidos.

Mas há sempre aquele verso…

 

Aquele verso ou até uma estrofe inteira que nos saiu bem de lá de dentro, daquilo que nós somos e sabemos que significamos.

E temos pena, arrependemo-nos de ter rasgado a folha e de a termos subjugado para aquele canto escuro e frio. Pedimos desculpa, choramos, tentamos reconstruir todos os pedacinhos daquela obra que seria tão promissora…

Mas é (quase) sempre tarde demais!

Hoje, decidi sentar-me, pegar em mim e escrever em prosa, sem pontuação, como Saramago. Porque foi assim que vivi estes trezentos e sessenta e cinco dias de análise intensiva, de leitura obcecada e de uma escrita sem discernimento.

Famintos, eram aqueles pedaços de história a brotar pelos poros, a flutuar, a fazer reluzir o brilhozinho dos olhos, a rasgar sorrisos!

Faminta, era a vontade de conhecer mais palavras para a acrescentar a este vocabulário limitado.

E tudo coube neste pedaço de história escrita e guardada nos segredos de cada recanto.

Talvez não tenha ninguém a quem contar tudo o que vivi, todas as histórias, que mais do que transpostas para o papel, estão já cravadas neste pedaço de pele inconsciente.

Mas, não faz mal…

A vida passa com o vento, os mosquitos entram para os olhos e, se hoje a lua é crescente, amanhã será cheia: cheia de luz, cheia de fazes e não fazes.

Talvez compre um caderno novo e respeite as margens, mas não terá piada nenhuma.

A vida tem princípio e fim. O resto é a bagagem que levamos connosco, as aventuras desta viagem, os sonhos eternos.

Um dia, quando não couber mais nada neste livro, a mala estará cheia e isto, isto tudo, deixará de fazer sentido.

Até lá, só quero saúde e um sorriso como fonte de iluminação. É a única inspiração de que preciso para que as palavras não sejam substituídas pelas reticências e para que, estas últimas, não deem lugar a um ponto final.

Hoje, decidi sentar-me e terminar este capítulo!

 

Tenham um feliz 2016!

 

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