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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Amanhã nascerá uma flor

Hoje choveu todo o dia.

Começou de manhã bem cedo.

Pequenos fios de água mansa batiam contra a janela do meu quarto, quando o relógio despertou e a chuva começou a cair dentro de mim.

Eram aguaceiros fracos, memórias pertinentes que alimentavam a saudade dos dias de inverno vigoroso. As mantas ao xadrez enroscadas nas pernas esguias, estendidas sobre o verde murcho do mesmo sofá, de pele, de sempre.

 

Ao lado, naquela mesa imaculada, retângulos preenchidos pela sobreposição de pequenas teclas numericamente ordenadas, o cheiro a chá de limão com mel e canela, o cheiro àqueles dias de melancolia obrigatória.

Hoje, as pernas perderam a força e os braços, imóveis, a coragem de combater o frio penetrante dos lençóis polares.

Um frio inexplicável, vindo de dentro.

A luz alaranjada promovia o fervor das gotas de chuva que em mim pingavam desde a linha de água destes meus olhos maquilhados, borratados, magoados, tristes, cansados…

Outrora, premi todas as teclas em busca de uma realidade melhor com um bom sentido de humor ou, quiçá, um conteúdo informativo interessante e realmente merecedor daqueles segundos de degustação oriental.

Mas a programação é a mesma de sempre: a vida monótona, os chinelos perfurados pela preguiça, os cabelos emaranhados pela dormência.

Ainda assim, nunca tinha sentido a chuva bater-me no coração e hoje, pela primeira vez, senti um arrepio vindo da alma.

Fechei os olhos e deixei que a intensidade aumentasse a embriaguez de um estado de espírito demasiado lúcido.

“Chovi”, choveu o mundo inteiro em qualquer parte.

Um dia todas as nossas nuvens colidem, todos os nossos relâmpagos ecoam pelos capilares ensurdecidos.

Um dia, todo o Outono sacode as peles mortas.

Hoje choveu todo o dia.

“Amanhã nascerá uma flor!”   

 

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