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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Ai costa, a vida costa!

Damos voltas e voltas. A vida não nos satisfaz ou, provavelmente, nós é que não nos deixamos satisfazer pelos seus pequenos prazeres.

Seja qual for a hipótese mais concreta, a verdade é que nos queixamos de tudo. Barafustamos todos os dias porque o estado do tempo raramente nos apraz. O frio é demais, o calor insuportável. A chuva, que faz falta para que as sementes germinem, tarda em encharcar-nos os pés. E o sol, essencial para que a densidade óssea se mantenha saudável, decide jogar às escondidas no dia em que precisamente o nosso rosto acudia por um cintilo puro, quente e um pouco mais gentil.

O problema é que até a ausência de problemas é problemática.

Sem vitamina D, que o sol nos valha, deixamos de poder fazer queixinhas à vontade porque, até a contrariedade de que somos feitos, acaba por quebrar aos poucos.

E queixamo-nos tantas vezes…

Ou porque o vizinho ganhou o euromilhões e nós, que nem sequer apostamos, ficamos a ver navios. Ou porque além do azar ao jogo, o amor também deixa muito a desejar...

E o ciclo repete-se. O ciclo torna-se vicioso. O ciclo é sem fim.

Ficamos danados quando “tudo” nos corre mal. Não gostamos do nosso corpo e vemos no outro um sinónimo da (quase) perfeição. Não gostamos da vida que nos escolheram e que teimamos em manter porque assim tudo é mais fácil.

Ou íamos agora lutar pelos nossos sonhos, ousar levantarmo-nos da cadeira e construir um caminho, assumindo o comando da nossa vida? Íamos agora contrariar quem nos diz que “é melhor assim”?

Não!!! Isso é um perfeito disparate de quem é hiperativo e se deixa seduzir pela adrenalina de um risco inconsequente.

Nós permanecemos sentados à espera da oportunidade. Sentados a fazer reclamações sucessivas, a sermos donos da verdade na qual não cremos. A sermos prisioneiros da repressão que impingimos à nossa própria vontade, a culparmos os outros pelas nossas próprias falhas.

Sim! Passamos a vida sentados.

Passamos a vida a cerrar os lábios, a mordê-los, a querer ser juiz e ter sentença. Passamos a vida a querer os telemóveis mais caros, a casa de sonho e um emprego monetariamente apelativo, porque tudo o que precisamos é de nos encher de entulho, de nos atafulharmos de coisas… Coisas que não significam nada.

E, no entretanto, vamos carpindo as nossas pequenas desgraças até que, de facto, os verdadeiros infortúnios surgem, até que aprendemos a dar valor ao que realmente é importante, ao bem mais e menos material de todos.

E choramos pela vida. Por aquela que nos mantém vivos. A vida onde todos os órgãos funcionam, onde se para o tempo para escutar a leveza da respiração, onde se aperta o pulso para sentir o bater do coração, onde somos corpo. Um corpo que anseia por muito mais, mas que depende dessa fragilidade. Um corpo que a mente nem sempre controla e que muitas vezes nos prega partidas.

E aí, quando nos descobrimos, levantamo-nos pela manhã. Cedo. Muito cedo. E queixamo-nos do tempo.

Com razão.

Porque ele vai passando…

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