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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

«A criança que fui chora na estrada»

Tenho na reserva sonhos repartidos, encaixotados, colocados em fila, ordeiramente.

Tenho os diários que rabisquei, as mandalas que pintei, os tesouros que tive e imaginei.
Tenho poemas e rimas emparelhadas, versos alexandrinos e pedaços de papel amorrotados; memórias enroladas bruscamente, lágrimas salgadas e, de repente, papel de prata a denunciar as consequências dos recorrentes estados neuróticos. 

Tenho os textos que escrevi, as palavras que nunca li, os significados indecifráveis.

 

Estou perdida de regresso ao passado.
Sentada no meio de um pedaço de mofo melancólico que desperta saudade, que comove, que relembra e me faz voltar onde fui feliz, onde caí e tropecei, levantei e repeti.

O chá arrefece e ganha o gosto dos outros tempos. Os tempos em que a avó aquecia o leite e lhe misturava canela divina. Os tempos em que tudo me sabia bem, pela vida, enquanto as mãos daquela figura deliciosa se apoderavam da fragilidade proeminente das minhas bochechas redondas e macias.
Ah...
Que saudade de tudo o que queria viver a correr, sem esperar ou perceber.

O tempo passou, o tempo levou, deixou um vazio que não se preenche.

Agora tudo se resume a pouco. E o pouco é tanto.

Tão bom ouvir esta chuva a cair enquanto dentro de mim o sol resplandece.
Tão bom ler estas cartas vazias, as amizades feitas e perdidas em declarações finitamente eternas.


Tudo passou.

A idade não permite tal inocência, apenas encoraja a saudade, apenas lhe dá força e intensidade.

 

Tão bom sorrir a pensar no que fui sem alterar nada. Sem arrependimentos, sem vergonhas, sem mudanças...
Talvez a criança que fui se orgulhe do que sou!
Pessoa o saberá, certamente.

Eu sei de mim, por dentro, naquilo que ninguém lê, naquilo em que poucos acreditam.

 

Guardei-me em caixas castanhas e banais.
As primeiras fotografias, os primeiros sorrisos, os primeiros passos.

 

Guardei para mim esta saudade de olhar para trás, de malas aviadas e destino incerto.

E quem diria...

Tão velha e tão receosa esta maneira de ser. O medo do escuro, das aranhas e dos vilões.

Enfim, o que o tempo não leva.

(...)

Quero ser assim, como no início:

Beber do amor, beber da vida. Dá-la a toda a gente, com um sorriso, um olhar penetrante e uma mente e coração abertos.
Quero ser assim, como no ínicio:
Cheirar as flores, alimentar os pássaros, acariciar pessoas...
Quero ser assim, como no início:
Sujar a roupa, cair, levantar, correr, saltar.
Quero ser assim, como no início:
Uma fonte de energia inesgotável pronta para viver a vida ao máximo, a amar.

 

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