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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O Natal és tu!

«O Natal és tu, quando decides nascer de novo em cada dia e deixar Deus entrar na tua alma.
A árvore de Natal és tu, quando resistes vigoroso aos ventos e dificuldades da vida.
Os enfeites de Natal és tu, quando as tuas virtudes são cores que enfeitam a tua vida.
O sino de Natal és tu, quando chamas, congregas e procuras unir.
És também luz de Natal, quando com a tua vida iluminas o caminho dos outros com a bondade, a paciência, a alegria e a generosidade.

 

Até tenho saudades...

Deixei de falar com o passado.

Lembro-me às vezes das nossas conversas, daqueles conselhos dados pelo espelho retrovisor e dos dilemas captados por uma lente ainda sem risco algum.

Era eu e o banco de trás com três cintos que pouco apertavam e uns carrapitos desprendidos de infelicidades.

Eram os domingos em que ainda havia tempo para ir descobrir cidades. Eu no meio de dois braços fortes, de duas mãos suaves, de dois seres que amo.

Até tenho saudades!

 

O dia mais pequeno do ano

Há muito que as mantas me cobrem as pernas e as gavetas estão aconchegadas por malhas de várias cores.

À noite, nada sabe melhor do que uma caneca quente entre os dedos. E os pés escondem-se por baixo de três pares de meias polares enquanto o pescoço se deixa envolver pela suavidade de um cachecol que dá voltas e voltas.

Um quadradinho de chocolate, daquele bem negro e com uma percentagem considerável de cacau, para que a tentação não dê lugar ao arrependimento, e os dias parecem perfeitos.

Depois, chega também a altura dos frutos secos. Castanhas cruas, cozidas ou assadas. Quentes, tão quentes como as gargalhadas de uma família reunida num simples momento de partilha.

Vêm as nozes, as uvas passas, os pinhões, os figos, as tâmaras e os doces de natal. 

 

 

Reivindicar o Amor

Para muitos, a época mais especial do ano aproxima-se. Para outros, não existe sequer esperança no dia seguinte.

É assim que o mundo é. É assim que a vida se comporta.

Uns são ricos, outros são pobres. Uns têm saúde, outros lutam por ela.

Uns têm família, outros têm-se a si mesmos. Uns têm sorte, outros menos juízo.

Existem ainda aqueles que, aos nossos olhos, têm tudo o que é preciso para se sentirem felizes, mas, ao invés disso, se sentem vazios. As suas vozes não se ouvem durante a consoada, os presentes desinteressam-se pelos embrulhos, a chama vai cessando e o fumo surgindo em pequenas névoas de esquecimento.

A lareira vai-se apagando…

 

Este ano o Natal vai ficar pelo caminho para muitas pessoas.

Sim, infelizmente, é verdade.

Muitas crianças não vão ter presentes porque lhes falta, entre outras coisas, alimento: o que nutre o corpo e o que acalenta a alma.

 

 

Savoir-faire

 

Ainda escrevo porque sim. Não porque tenha matéria particularmente relevante para partilhar, mas como um mecanismo catártico necessário e inerente à minha condição.

Escrever é uma grande ferramenta para quem gosta de estar sozinho, mas, acima de tudo, para quem não se coíbe de encontrar uma companhia nas palavras.

Às vezes, não sai tão direitinho como se pensou. Outras vezes, escreve-se sem olhar para trás, compulsivamente.

Querer escrever e não ser capaz provoca em mim uma consternação pungente e, por sua vez, ler o que outrora redigi, uma autocrítica que chega a ser desconcertante e que me leva, com alguma frequência, a questionar e até duvidar do meu savoir-faire.

 

Entardecer de enternecer

 

Perdi-me num rodopio.

Vi-te do meu canto a explorar a floresta, no meio das árvores altas e robustas de folhagens verdes e impetuosas. Parei para te ver pisar aquele pequeno trilho de gravilha num passo certo.

Junto, vi a máquina fotográfica que te pendia sobre o peito, o cabelo que esvoaçava, uma aura indomável.

Vi-te pelos olhos que esfumei antes de ser dia.

Junto, a mochila de ganga com cordões cor de pérola a emaranhar a desembocadura pela qual, certamente, palpitavam as palavras dos livros filosóficos que trazia.

 

Sem Abrigo

 

Tens as roupas sujas e gastas, o cabelo grisalho sem forma ou arrumo, a mão esticada sem convicção.

Há dias que te cortaram a água. Dizem que setembro foi um mês quente e outubro lá lhe vai seguindo os passos, prolongando tal proeza.

Para ti, tanto faz!

Gostas pouco de seguir as tendências. És irreverente! Crias a tua própria moda e às vezes, como ela, és o último grito: aquele que a madrugada abafa e que as tuas próprias forças não projetam.

As olheiras não te incomodam. Aliás, sempre tiveste um fraquinho por olhos esbugalhados repletos de traços promíscuos.

E de cheiros, ninguém percebe tanto como tu! Desde que descobriste esta nova forma de viver que não largas o teu novo perfume por nada.

Encontraste finalmente um que se adequa à tua verdadeira essência, criado a partir dos extratos de dias e dias e noites sem luar. Aquela doce fragrância que revela a tua personalidade e a convicção com que acordas todos os dias à beira de um pedaço de cartão, daqueles que outrora fizeram parte dos caixotes descartáveis de que as pessoas aluadas se desfazem a torto e a direito.

 

Até onde?

 

Sei que o tempo se escapa e que a vida corre para a morte. Vai no caminho, tão depressa como o pôr de um sol que desponta no outono de um verão em despedida.

As janelas abrem-se para correr o ar e lá fora os lampiões são o retrato esbatido de um clarão a desfocar a vista que se prende nos pequenos pontos que cintilam lá no alto do seu esplendor. O céu longínquo, frio, escuro e idílico.

A estrada vai-se deixando para trás à medida que o velocímetro dispara e o coração acelera. Desejos vorazes, vontades sôfregas, ânsias em chama, palavras a ricochetearem a mente num vai e vem duvidoso.

Aos arranques, ecoa o motor em andamento: ritmo descompassado, absorto em pensamentos díspares, em melancolias passadas, em desejos ainda por desvendar.

E é tudo tão aleatório como esta estadia que nunca chegamos a perceber, tão reconfortante como repetir todas as manhãs, em aconchego, um mantra budista.

 

 

Em versos alheios #85

 

«Fecha a porta, muda o disco, limpa a casa, sacode a poeira. Deixa de ser quem eras, transforma-se em quem és. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.»

 

                                                                                                                         Gloria Hurtado

Trilho

O cheiro da terra molhada apoderava-se de todos os meus sentidos à medida que, cuidadosamente, descia a colina através de um carreirinho estreitamente bem desenhado, delimitado por marcos de pedra, minuciosamente recortados pelo vento.

As nuvens moviam-se devagar e o meu cabelo unia-se por pequenas gotículas de um orvalho praticamente extinto.

Tinha uma mochila a cobrir-me as costas e uma vara de madeira robusta a acompanhar-me as passadas. Um mapa entrelaçado nos dedos e uma adrenalina aprazível a despontar pelo ventre.  

Era o mundo em vista por descobrir. O realizar do maior de todos os projetos: conhecer-me.

De olhos erguidos e corpo firme, segui o meu caminho sem destino. Até onde o coração quisesse levar os pés. Até onde os pés quisessem levar a alma.

E deixei de ter medo. 

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