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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Aqui jaz

Quebra o gelo o esfriar do vento,

Estremece um corpo em movimento,

Padece a muralha dessa altivez

Que deste ao mundo porque nele a vês.

 

As nuvens emaranham-se pela cidade,

O dia escurece sem vontade

E de dentro de mim esvai-se um grito:

Sentimentos em curto-circuito,

Incredulidade

 

Diz na lápide o teu apelido,

Apressadamente esculpido,

E o «aqui jaz» é um tormento

Para quem respirava do teu alento.

 

Não suporto a tua ida

Tu que nasceste para ser só vida.

Não suporto ter que saber

Que é pouco o tempo para te ver. 

 

2016: O ceifador de arte

2016 tem sido um ano devastador para o mundo artístico.

Na música, a minha arte mais querida, a ceifa parece nunca mais ter fim.

As grandes lendas vão, aos poucos, deixando-nos para trás. E foram muitas este ano. Muitas e indescritivelmente grandes...

Acredito que lá em cima se estará a trabalhar no melhor álbum de todos os tempos e que talvez só outras divindades o mereçam de facto ouvir.

David Bowie, Prince, Leonard Cohen e agora George Michael. Estes e tantos outros nomes que ao longo deste ano deixaram o mundo, com certeza, mais pobre. Mas que, no entanto, serão para sempre, neste mesmo mundo, imortais e merecedores de todas as homenagens.

Obrigada!!

Obrigada por me fazerem sentir tantas coisas e por me transmitirem tantas mensagens.

Obrigada por fazerem música!

 

Anjo da Guarda

Gostava de escrever sobre o Natal sem que a tristeza me invadisse, sem que a nostalgia se apoderasse de mim, sem que a tua voz fosse um eco distante. Mas tu fazes me falta... Fazes-me muita falta!

Continuo a lembrar-me de ti, a emocionar-me de cada vez que te recordo, a tentar imaginar a despedida que não tivemos.

Para mim, o Natal eras tu!

Mas, levaste tudo contigo e agora até a luz é um pouco mais apagada, até as canções são um pouco mais tristes.

As conversas à mesa ganharam a monotonia e a circunstância do costume e os doces já não têm o teu sabor. Falta-lhes aquele ingrediente secreto, aquele que só tu podias pôr em excesso, com confiança, na certeza de que uma pitada a mais de amor seria a medida certa e o melhor tempêro de cada refeição.

Levaste tudo contigo. E este grande vazio que deixaste, continua a aumentar. Aumenta de ano para ano. E consome-nos o coração.

 

 

Até tenho saudades...

Deixei de falar com o passado.

Lembro-me às vezes das nossas conversas, daqueles conselhos dados pelo espelho retrovisor e dos dilemas captados por uma lente ainda sem risco algum.

Era eu e o banco de trás com três cintos que pouco apertavam e uns carrapitos desprendidos de infelicidades.

Eram os domingos em que ainda havia tempo para ir descobrir cidades. Eu no meio de dois braços fortes, de duas mãos suaves, de dois seres que amo.

Até tenho saudades!

 

O dia mais pequeno do ano

Há muito que as mantas me cobrem as pernas e as gavetas estão aconchegadas por malhas de várias cores.

À noite, nada sabe melhor do que uma caneca quente entre os dedos. E os pés escondem-se por baixo de três pares de meias polares enquanto o pescoço se deixa envolver pela suavidade de um cachecol que dá voltas e voltas.

Um quadradinho de chocolate, daquele bem negro e com uma percentagem considerável de cacau, para que a tentação não dê lugar ao arrependimento, e os dias parecem perfeitos.

Depois, chega também a altura dos frutos secos. Castanhas cruas, cozidas ou assadas. Quentes, tão quentes como as gargalhadas de uma família reunida num simples momento de partilha.

Vêm as nozes, as uvas passas, os pinhões, os figos, as tâmaras e os doces de natal. 

 

 

Reivindicar o Amor

Para muitos, a época mais especial do ano aproxima-se. Para outros, não existe sequer esperança no dia seguinte.

É assim que o mundo é. É assim que a vida se comporta.

Uns são ricos, outros são pobres. Uns têm saúde, outros lutam por ela.

Uns têm família, outros têm-se a si mesmos. Uns têm sorte, outros menos juízo.

Existem ainda aqueles que, aos nossos olhos, têm tudo o que é preciso para se sentirem felizes, mas, ao invés disso, se sentem vazios. As suas vozes não se ouvem durante a consoada, os presentes desinteressam-se pelos embrulhos, a chama vai cessando e o fumo surgindo em pequenas névoas de esquecimento.

A lareira vai-se apagando…

 

Este ano o Natal vai ficar pelo caminho para muitas pessoas.

Sim, infelizmente, é verdade.

Muitas crianças não vão ter presentes porque lhes falta, entre outras coisas, alimento: o que nutre o corpo e o que acalenta a alma.

 

 

Savoir-faire

 

Ainda escrevo porque sim. Não porque tenha matéria particularmente relevante para partilhar, mas como um mecanismo catártico necessário e inerente à minha condição.

Escrever é uma grande ferramenta para quem gosta de estar sozinho, mas, acima de tudo, para quem não se coíbe de encontrar uma companhia nas palavras.

Às vezes, não sai tão direitinho como se pensou. Outras vezes, escreve-se sem olhar para trás, compulsivamente.

Querer escrever e não ser capaz provoca em mim uma consternação pungente e, por sua vez, ler o que outrora redigi, uma autocrítica que chega a ser desconcertante e que me leva, com alguma frequência, a questionar e até duvidar do meu savoir-faire.

 

Amálgama

 

     Extrato de chá verde impregnado na pele. Um carmesim desconcertante a figurar pelos dedos. Camisa em pendant com as calças de pinças azul comassie e o preenchimento das sobrancelhas outrora em desalinho.

    Custa ser-se assim tão impecável! Emprestar umas ondulações ao cabelo crespo, uns iluminadores à habitual pele esbatida, um brilho discreto ao cieiro do inverno.

     Custa escolher os tons, não confundir os padrões nem abusar da sensualidade ou do desarrumo propositado.

Mas o que custa igualmente é parecer que tudo aquilo é natural: o passo firme que ecoa pela rua, o som dos impetuosos quinze centímetros de altivez que se reproduz intermitentemente, a confiança de um desprezo ao piropo mal fingido, o queixo levantado de olhos postos no embaraço.

 

Sexta-feira

 

Equilibra-te. Lança a corda e descalça os pés.

Lá fora, pedaços de gente correm pelas ruas alcatroadas no encalço daqueles últimos segundos em que o sinal é ainda cor de verde intermitente.

As malas rebolam e o peso é a força predominante neste jogo de prioridades tão pouco intelectuais.

Rompem-se as rodas, encravam-se os fechos e nada mais importa do que o comboio prestes a partir.

Atropelam-se pessoas, confundem-se os que veem a cidade através de uma pequena objetiva e, vendo tudo isto, existe ainda quem desrespeite a azáfama evidenciada por aquela pequena gotícula de suor que se vai repetindo e escorrendo pelas entranhas.

 

Metade

 

Sou a metade de cada fragmento

Que se reproduz e pousa em mim,

Um todo incompleto e vazio

Sem princípio mas com fim

 

Sinto deveras…

Mas um deveras pouco demais

Qual mundo sem fronteiras?

Quais homens imortais?

 

A lucidez dói, fere, ensanguenta,

Corrói a ilusão e reduz a expectativa

E a mágoa, essa, não se ausenta

De cada alma carecida.

 

 

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