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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Yes, we can!

 

Sim, nós somos Capazes! Sim, nós somos Mulheres!

Pode não valer de nada este grito de revolta, este protesto, esta voz que ecoa hoje por todo o mundo. Mas a coragem é imensurável. Vale. Vale pelo pulso firme e por tudo aquilo que queremos e vamos conquistar.

Esta não é uma marcha "das mulheres", é uma marcha pela igualdade e o respeito para com todos os seres humanos. Uma marcha pela dignidade e pelo anseio de vivermos num mundo melhor. Não vamos recuar. Não vamos dar passos para trás, o nosso caminho ainda não chegou a meio... Mas nós continuamos a saber qual é a nossa meta. E, acreditem... Somos muito persistentes! 

Esta é uma marcha pelas nossas gerações, mas também pelas gerações futuras.

É uma marcha pelo hoje e pelo amanhã. Pela certeza de queremos viver melhores dias, em qualquer parte do mundo.

Existem, efetivamente, imagens que valem mais do que mil palavras. E estas, hoje, emocionam-me. Porque somos isto! Somos mesmo isto!!

E acreditem, seremos sempre mais fortes porque, aconteça o que acontecer, hoje fica uma vez mais provado de que nós não desistiremos de lutar por nós e por um mundo melhor!

We can. We have. We will!

Obrigada, Mulheres!

 

 

Em versos alheios #94

«Devemos aprender a despertar e a manter-nos despertos, não por meios mecânicos, mas por uma expectativa infinita da madrugada, o que não nos abandonará mesmo no nosso sono mais profundo. Não sei de nenhum facto mais encorajador do que a habilidade inquestionável do homem para elevar a sua vida por um esforço consciente.

É algo para ser capaz de pintar um quadro especial, ou esculpir uma estátua, e assim fazer alguns objetos bonitos, mas é muito mais glorioso esculpir e pintar a própria atmosfera e o meio através do qual olhamos.»

 

                                                                                                          Henry David Thoreau

Ai costa, a vida costa!

Damos voltas e voltas. A vida não nos satisfaz ou, provavelmente, nós é que não nos deixamos satisfazer pelos seus pequenos prazeres.

Seja qual for a hipótese mais concreta, a verdade é que nos queixamos de tudo. Barafustamos todos os dias porque o estado do tempo raramente nos apraz. O frio é demais, o calor insuportável. A chuva, que faz falta para que as sementes germinem, tarda em encharcar-nos os pés. E o sol, essencial para que a densidade óssea se mantenha saudável, decide jogar às escondidas no dia em que precisamente o nosso rosto acudia por um cintilo puro, quente e um pouco mais gentil.

O problema é que até a ausência de problemas é problemática.

Sem vitamina D, que o sol nos valha, deixamos de poder fazer queixinhas à vontade porque, até a contrariedade de que somos feitos, acaba por quebrar aos poucos.

E queixamo-nos tantas vezes…

Em versos alheios #93

«SONETO LXX

Se te censuram, não é teu defeito,
Porque a injúria os mais belos pretende;
Da graça o ornamento é vão, suspeito,
Corvo a sujar o céu que mais esplende.
Enquanto fores bom, a injúria prova
Que tens valor, que o tempo te venera,
Pois o Verme na flor gozo renova,
E em ti irrompe a mais pura primavera.
Da infância os maus tempos pular soubeste,
Vencendo o assalto ou do assalto distante;
Mas não penses achar vantagem neste
Fado, que a inveja alarga, é incessante.
Se a ti nada demanda de suspeita,
És reino a que o coração se sujeita.»

       

                                William Shakespeare

Maestrina

O céu estava sem forma, pintado por um cinzento claro e baço. Proeminentes, permaneciam os troncos de uma ramada descoberta pelas vicissitudes de um outono caduco.

O contraste permitiria, certamente, que o olhar se detivesse no estendal, perfeitamente alinhado com a interface de duas tonalidades distintas.

Ela tinha parado. Suspensa no tempo, embebida pela incerteza de existirem flores para lá da intensa neblina. E a noite ainda há pouco era uma criança.

Mas ela… Ela já via de outra forma a claridade.

Já deixava que o vento penetrasse todos os poros e que o orvalho escorresse pelas pétalas dianteiras. Já gostava de ter frio por deixar que o vento lhe acariciasse as maçãs do rosto pela manhã. Já pensava em encher os olhos, em guardar tudo para si, em inalar o mundo de uma só vez, em sentir os pequenos detalhes e os parapeitos húmidos, um tanto ou quanto condensados.

E, atrás dela, a melodia estimulava as sensações. Era protagonista daquele momento, daqueles instantes fugazes em que a paz se apoderava do espírito.

E, no entretanto, as colcheias de um caminho por desenhar, escapuliam-se das pautas para o bloco de notas à retaguarda.

E ela não parava.

Escrevia sem dar conta de como se transpunha para o papel, de como era maestrina do seu próprio pensamento.

Era impossível domar os instintos. Impossível não querer beber da adrenalina que o fruto proibido apetecia.

Impossível não sentir a discrepância das suas vozes, perceber a dimensão da sua tessitura e a importância de todos os instrumentos da orquestra.

Como os sentimentos na vida.

"Obrigada..."

Os dias vão-se rotulando.

Cresce uma vontade visceral de emprestar cores ao tempo. De significar as palavras e de, para o efeito, as assinalar em momentos efémeros.

Existem “dias mundiais”, datas importantes que se perpetuam no tempo. E existe a nossa forma estranha de denotar sentimentos.

São pouco cordiais as meras vinte e quatro horas de destaque quando as emoções fermentam ininterruptamente dentro de nós. Quando são pequenas bombas-relógio, pequenos rastilhos que desencadeiam guerras turbulentas no peito.

Os tempos mudaram. As gerações cresceram. Vejo, nos olhos de hoje, o espelho de novas trivialidades, cujo engenho se foi fomentando aos poucos, de há uns pares de anos a esta parte.

E digo-o porque sinto, como nunca, a terra deslizar-me pela sola. Como se o nosso entendimento se baseasse numa teoria de Wegener: inaceitável para a época, irrefutável para a consciência.

 

 

Eu achava...

Celebrar a vida!

Fui crescendo com a certeza de que a palavra impossível era um mito.

Fui crescendo a acreditar que um dia todos os meus sonhos se iriam realizar. Que eu poderia ser, de facto, quem eu quisesse.

Que não seria o local onde nasci que me impediria de voar, que não seria o meu género que poderia limitar a minha vontade de ir mais longe e que não seriam nunca os outros a escolher o meu caminho.

Fui crescendo a acreditar nas pessoas, no amor, no respeito, na natureza, nos valores, no céu e no inferno.

E agora todas essas “verdades” me destroem por dentro.

Está tudo tão longe… É tudo tão incerto e difícil de alcançar!

Eu achava que quanto mais crescesse e amadurecesse mais perto estaria das minhas metas. Pensava que quanto mais experimentasse a vida, mais confiante viveria nela.

Mas enganei-me. Enganei-me redondamente. Encontrei espinhos e pétalas murchas pelo caminho. E não estava preparada.

Eu que cresci a ouvir os outros, os meus, a rirem. Rirem até que a barriga doesse e os músculos precisassem, por fim, de relaxar.

Cresci a pensar no futuro. Um bom futuro, um destino ainda melhor.

E agora oiço-os todos, do mesmo modo, a falar dele. Do futuro. Do dia que todos queremos longínquo: o último.

 

 

Instagramirrealidade

Talvez por dentro o sol se desdobre.

Seja parte repartida de si, poeira reluzente, intensidade, contraste e saturação.

Talvez o rio adormeça na margem, a lua seja nova e a maré um pouco cheia.

Seja o pão a entrar para o forno, o cigarro apagado, a constelação em gravidade.

Talvez o medo assombre o teu descanso, o teu corpo recalcado, a tua mente entresilhada.

E deambules e bamboleies e voltes ao início da estrada.

Talvez por dentro o pleno seja vazio e disfuncional.

Irreconhecível como as figuras à mercê do nevoeiro.

E por fora, tudo o que sentes, deveras intemporal como se o mundo parasse e tu fosses o passageiro.

Talvez seja sorte o seu parecer estático, o acontecer só dentro de mim e fora de ti, mas os filtros esgotam a certeza do que viemos fazer aqui.

Ajustamos o tempo e preferimos as sombras à luminosidade.

Enganamo-nos no contraste e de negro realçamos a realidade.

Talvez por dentro o melhor seja definir uma certeza porque com a lente vês, mas não sentes a tua natureza.

Seja como for: liga-te à terra, constrói a tua própria galeria e define a tua vida.

Porque talvez regresses ao menu e nele descubras o bloqueio como ponto de partida.

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