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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

És tu quem decide o que fazer!

«És tu quem decide o que fazer!»

 

Não tinha respostas, nem sequer poder de decisão.

A vida tinha-me passado ao lado, por muito tempo. Nunca tive de tomar decisões, de me preocupar com algo que dependesse de mim, até porque, nada dependia de mim.

A minha palavra não era crucial, não decidia, não mandava, não era determinante.

Eu fazia o que era suposto fazer: sentava-me à lareira a tricotar, lia o horóscopo, cozinhava, de quando em vez, e, nos entretantos, lia os clássicos mais marcantes da história.

Era apática.

Uma apática que se emocionava às escondidas.

A vida tinha deixado de me entender. Os outros, tantos iguais a mim, nunca me entenderam.

Porque eu era a diferença, aquela que estava bem onde não estava, que procurava lugares e que nunca mudava de vida, por mais que quisesse.

Sabem?!

 

Nunca acordei. E o mal era esse. Era não saber o quão difícil é ouvir o som do despertador!

Estava, constantemente, a enfiar-me debaixo dos lençois. Cada vez mais cobertores, mais volume, mais peso... Chegava a queimar, aquela realidade ateada por uma inércia repugnante.

Um fardo maior, uma mentira desproporcional, a hipérbole de um estado de vida a esconder anos inteiros de inquietude e passividade.

Era isso: o desejo de querer, o receio de agir!

Agora estava na hora de dar voz à mulher, muito menina, que sempre se sentiu frágil.

Estava na hora de andar, sem passar pelas fases preparativas: a cadeira confortável, os joelhos esmurrados.

 

«Eu acredito que na vida tudo acontece por uma razão.»

 

Eu também acreditava.

A queda iria ser maior, mas necessária.

A vida também é assim: maior do que é. A ilusão vista a olho nu.

Estava a chegar a hora de raspar a tinta que me cobria. Aquela segunda mão. Aquela terceira indecisão.

Hoje, sou eu quem decido o que fazer. Os joelhos têm calos e as feridas da memória ainda me doem. Mas sou muito mais feliz assim, cheia de cicatrizes e imperfeições.

 

«És tu quem decide o que fazer»

Sempre fui. Nunca soube.

 

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