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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Metade

 

Sou a metade de cada fragmento

Que se reproduz e pousa em mim,

Um todo incompleto e vazio

Sem princípio mas com fim

 

Sinto deveras…

Mas um deveras pouco demais

Qual mundo sem fronteiras?

Quais homens imortais?

 

A lucidez dói, fere, ensanguenta,

Corrói a ilusão e reduz a expectativa

E a mágoa, essa, não se ausenta

De cada alma carecida.

 

 

Entardecer de enternecer

 

Perdi-me num rodopio.

Vi-te do meu canto a explorar a floresta, no meio das árvores altas e robustas de folhagens verdes e impetuosas. Parei para te ver pisar aquele pequeno trilho de gravilha num passo certo.

Junto, vi a máquina fotográfica que te pendia sobre o peito, o cabelo que esvoaçava, uma aura indomável.

Vi-te pelos olhos que esfumei antes de ser dia.

Junto, a mochila de ganga com cordões cor de pérola a emaranhar a desembocadura pela qual, certamente, palpitavam as palavras dos livros filosóficos que trazia.

 

Sem Abrigo

 

Tens as roupas sujas e gastas, o cabelo grisalho sem forma ou arrumo, a mão esticada sem convicção.

Há dias que te cortaram a água. Dizem que setembro foi um mês quente e outubro lá lhe vai seguindo os passos, prolongando tal proeza.

Para ti, tanto faz!

Gostas pouco de seguir as tendências. És irreverente! Crias a tua própria moda e às vezes, como ela, és o último grito: aquele que a madrugada abafa e que as tuas próprias forças não projetam.

As olheiras não te incomodam. Aliás, sempre tiveste um fraquinho por olhos esbugalhados repletos de traços promíscuos.

E de cheiros, ninguém percebe tanto como tu! Desde que descobriste esta nova forma de viver que não largas o teu novo perfume por nada.

Encontraste finalmente um que se adequa à tua verdadeira essência, criado a partir dos extratos de dias e dias e noites sem luar. Aquela doce fragrância que revela a tua personalidade e a convicção com que acordas todos os dias à beira de um pedaço de cartão, daqueles que outrora fizeram parte dos caixotes descartáveis de que as pessoas aluadas se desfazem a torto e a direito.

 

Contingente

 

Escrever sobre mim é um fracasso.

Sobre o mundo? Uma humilhação. Porque nada sei, mas tudo sinto e é dessa metafísica que eu percebo.

Terra-a-terra, mano-a-mano.

Eu sou os campos verdes e viçosos, o mar quente e cheio, o céu azul estrelado, um eufemismo literal.

E às vezes farto-me de ser tanto sentimento ou de existir apenas como se à volta tudo estagna-se.

O que não falta em mim são palavras. Não é um problema genético, mas talvez uma mutação numérica justifique o mundo fantasioso que crio em meu redor. Os meus olhos procuram antónimos e farejo ao longe a mania com que os teus pés se cruzam, em metáforas e hipérbatos impercetíveis às vistas mais agasalhadas.

 

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