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O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

O meu poema

O blog em que o sonho é o principal verso da vida. O ser humano na sua essência. Os sentimentos à flor da pele. O tudo e o nada.

Espelho meu

 

Olho-me ao espelho.

O mundo pára, sou só eu: despida de tudo, despida de todos.

Há verdade. Há fragilidade. Há incerteza.

Há mais para além daquilo que o passo generaliza e é bem maior do que eu esta vontade de me olhar, de me ver por dentro, de me ler, de me sentir só e tão grandemente acompanhada por este exímio poder de resolução, por esta objetiva penetrante e clara.

Vejo poucos reflexos. Vejo uma figura que chora e ri para si mesma e se contorce. 

Olho-me ao espelho.

É repugnante a cera com que me moldam, os padrões em que me enquadram, a boniteza do meu fracasso.

O mundo afasta-se e enrola-se, como um novelo, para dentro de si. Espalho tudo à minha volta, tudo o que não sou, tudo o que tenho de ser, tudo o que gostava de ser e não ser. Em mim fica o nada, o nada que é tudo... Porque nada sou eu!

 

 

Numa infância perdida...

 

Lembro-me  de construir castelos na areia, lembro-me de apanhar todas as conchas que o mar devolvia, na brisa da manhã, ao areal.

Sempre apanhei as conchas todas, sempre as guardei, religiosamente, naquele balde de toda a vida, onde se encontra o cheiro do mar, o brilho do céu.

Acreditava tanto que lá estariam todos os meus sonhos, que ainda acredito!

Acredito nos sonhos que deixei naquela areia fina, das pegadas que marquei naquele pedaço de esperança esfarelado. 

 

 

Por entre riachos

           

Quando me lembro de mim vejo o carvão aguçado das memórias baças.

A lâmina fina, o sujo impregnado na fragilidade de traços imprecisos, a mistura de um horizonte distante e completo.

Não me lembro bem do toque dessas palavras amargas.

Escorre em mim uma inquietude, uma vida alheia não promissora.

Às vezes, vejo o rodopio destes dias, olho à volta, e tudo se assemelha ao que deixei passar.

A vida corre pelo riacho da precaução. E nós desaguamos lentamente na solidão que nos entrelaça.

Para nós é noite. O sol acabara de gritar pela lua. As costas estalam, os pés arrefecem e pequenas sentinelas celestiais acompanham os suspiros reluzentes.

Escavou-se em mim a lembrança das noites infravermelhas. Era eu e a pureza de uma radiação assertiva. Fui eu e os morangos colhidos de véspera junto das toranjas maduras.

Já me lembro.

 

 

Obrigada!

Boa tarde!

Pois que o meu sábado não podia começar da melhor maneira!

Tão bom vir aqui e perceber que um dos meus posts está nos destaques!!
Obrigada "sapinho", pelo meu segundo destaque e por acolherem tão bem quem decide partilhar um pouco de si através deste "novo mundo". 

Fico muito feliz! 

Além disso, hoje, o blog atingiu também os 50 subscritores, só tenho a agradecer-vos. 

Obrigada a vocês, que estão desse lado e que seguem as minhas partilhas, os meus estados de alma, cada parte de mim. 

Espero que o número continue a aumentar e que publicações destas se repitam.

Bom fim de semana, sejam muito felizes!

És tu quem decide o que fazer!

«És tu quem decide o que fazer!»

 

Não tinha respostas, nem sequer poder de decisão.

A vida tinha-me passado ao lado, por muito tempo. Nunca tive de tomar decisões, de me preocupar com algo que dependesse de mim, até porque, nada dependia de mim.

A minha palavra não era crucial, não decidia, não mandava, não era determinante.

Eu fazia o que era suposto fazer: sentava-me à lareira a tricotar, lia o horóscopo, cozinhava, de quando em vez, e, nos entretantos, lia os clássicos mais marcantes da história.

Era apática.

Uma apática que se emocionava às escondidas.

A vida tinha deixado de me entender. Os outros, tantos iguais a mim, nunca me entenderam.

Porque eu era a diferença, aquela que estava bem onde não estava, que procurava lugares e que nunca mudava de vida, por mais que quisesse.

Sabem?!

 

 

Ferrugem

Pepitas de amor caem sobre a telha enferrujada

Paramos, ficamos a contemplar o bom da vida.
Bebemos um gole de café,
Sentimos a esperança a escorrer.
Obstáculo abaixo, obstáculo acima.

 

Desenhamos os corpos na espuma alheia.
Dançamos ao sabor da similaridade de um grão,
Um aroma reprovado que corta, que rasga, que sabe tão bem, que aquece tanto a alma.
De fininho, entramos na caverna que nos fez.
Recordamos de que tecido se fazem os barcos, da perdição das navegações...
Vela por vela, mastro por mastro.

 

 

É um meio cheio de insensatez

 

É um meio cheio de insensatez, esta vida que percorre as linhas descontínuas da solidão.
É um ermo, intacto e vazio que perfura a pele destas cartas vazias, pousadas sobre a angústia de um passado presente.
É o sonho, é a vida, é um todo descontente.

 

Passar pelas brasas, passar pelas chamas, queimar e morrer ao relento, no rescaldo de um ser em erupção.
Somos a nossa própria lava!

 

E o mundo pousa, devagar, em cada lugar seu. 

A confusão vem com o tempo.
O movimento giratório que não para, a turbulência do tráfego em ondas perpétuas, em espirais inacabadas. Um só fim, um só lugar.

 

Insaciabilidade infinita

 

 

Tenho sede.

Tenho sede de infinito, das palavras que não cabem neste lugar puro e singelo, onde me conheço e investigo.

Tenho sede.

Sede de um mar salgado, docemente ondulado.

Tenho sede da água que transborda o rio, do sonho que preenche as manhãs.

Tenho sede do lápis que escreve por si a história verdadeira, sem hipérboles ou metáforas.

Tenho sede de uma vida repleta de algas enroscadas nas pernas quentes, de um dia passado ao sabor da areia fina e grossa, das texturas diferentes de uma toalha estendida sobre as reflexões de um ano inteiro.

Uma vida inteira.

 

 

Toxinas da alma

 

 

É na suavidade dessa terra molhada que procuro a essência, um bocado de nada.

Há sonhos que passam por nós na fantasia de uma vida idealizada, na realidade de um espírito perturbado.

Há dias em que o antes se repete e escurece e magoa.

 

E tu onde estás, amigo de todas as horas?

Sinto-me tão pequena, tão frágil, tão inocente.

Preciso apenas de uma parede fria e consistente.

Preciso apenas de um pedaço mais pequeno que eu. Preciso de não ser isto, de não ser só isto.

 

 

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